Como de costume, passei a madrugada de ontem para hoje em claro. Fui dormir por volta das 5:30 da manhã. 9hs da manhã alguém toca a campainha. Saio na janela capengando de sono e lá está uma mulher:

- Ah, desculpa, te acordei?

(pensei comigo: “Não, a casa está toda fechada e eu estou com esta cara de sono porque eu não gosto de luz do dia e tenho esta cara mesmo… Mas ao invés disso, disse:)

- Sim, me acordou. Pois não…

- Eu sou (fulana) e nós estamos passando nas casas para incentivar as pessoas a ler a bíblia.

(respira fundo e conta até um bilhão…)

Do fundo do meu coração, com todo o repeito que eu tenho pela liberdade de crença, putaqueopariu!!! (acho que é a primeira vez que uso um palavrão no blog, só pra dar uma idéia…) Não é a primeira vez que acontece. Nem a segunda. Nem a décima. Acontece numa média de duas vezes por mês no mínimo, sempre aos finais-de-semana. Desta vez ainda foi mais tarde, mas já teve gente batendo na minha porta às 7hs da manhã de um domingo para “falar sobre a bíblia”.

Sinceramente, o que passa pela cabeça destas pessoas? Não, sério, me ajudem a entender, porque eu já estou tão pelas tampas com isso que não sei nem mais o que fazer. As pessoas têm o direito de ter suas próprias crenças, mas eu acho EXTREMAMENTE invasivo alguém tocar a campainha da sua casa, seja que dia ou horário for, para tentar impor estas crenças, para tentar te converter. Isso quando não ficam ofendidos ou te olham torto quando você diz que não tem interesse no que eles querem dizer ou quando não resolvem questionar suas crenças, como se não seguir uma religião específica fosse sinônimo de falta de caráter ou algo do gênero.

Este tipo de coisa deveria ser proibida. Deveria haver uma forma de evitar este tipo de assédio de dentro da nossa própria casa!! Eu honestamente não sei o que fazer para evitar isso, até porque dificilmente é a mesma pessoa que aparece. Eu não quero ser agressiva ou indelicada com ninguém, infelizmente estas pessoas lá no fundo acreditam que estão tentando fazer um favor, te ajudar de alguma forma, mas me pergunto se manter a gentileza não torna a coisa pior. Minha vontade é responder: “Você só pode estar brincando comigo, ter a cara de pau de tocar a campainha da minha casa num sábado de manhã, me acordar para dizer que quer me incentivar a ler a bíblia?? Você só pode estar brincando comigo!”

Fico pensando, de verdade, o que passa na cabeça destas pessoas. Eu jamais teria a cara de pau de sair aleatoriamente tocando a campainha das casas de estranhos para “falar sobre as minhas crenças”. Tem que ter uma cara de pau fenomenal pra fazer um negócio destes. E uma falta de noção e de respeito ainda maior. Já pensei seriamente em colocar um aviso bem ao lado da minha campainha dizendo “Se quiser falar sobre a bíblia, vá para a casa do lado e me deixe em paz”. Campainha devia vir programada com anti-spam. No dia que o Google lançar a “GBell” eu serei a primeira beta-tester. Ou então, as campainhas poderiam ter um sistema de atendimento automático: “Se você quer falar sobre a bíblia, vender balas ou rodinho de porta, tecle um”. Teclado “um”, a mensagem seria “Os residentes desta casa estão todos ocupados no momento. Por favor aguarde.” - e deixaria a pessoa “na espera” indefinidamente ouvindo a musiquinha mais irritante possível. Aliás, conheço várias empresas brasileiras que poderiam prestar este “serviço” de chamada em espera e contrataria o carro de som da “Rede Padovan de calçados”, que também me acorda com o som mais irritante do planeta, pra gravar a “mensagem” de espera. Se funciona para tantas empresas, acho que funcionaria maravilhosamente aqui em casa.

Será que assim este pessoal pararia de me encher o saco?? Tenham suas próprias crenças, eu respeito, mas me deixem em paz!!! Me deixem ao menos dormir! Será que é pedir muito? Se um dia eu quiser ler a bíblia, ou falar com alguém sobre a bíblia, eu mesma vou pessoalmente e por livre e espontânea vontade a uma igreja, combinado?

(edit): será que alguém me sugere uma boa resposta pra dar ao próximo aparecer por aqui?