Do site da BBC Brasil, 31 de agosto, 2007:

A Suécia começa a criar este mês uma nova revolução social, com a introdução da chamada “Sociedade B” – uma sociedade que leva em conta os diferentes ritmos biológicos dos indivíduos para introduzir horários alternativos de funcionamento para escolas, locais de trabalho, universidades e organizações.

Quem acompanha este blog, sabe que eu sou notívaga. Sempre fui e alguns anos atrás abracei esta característica completamente. Neste artigo falei em detalhes sobre os problemas de se ter um ritmo biológico diferente, pra quem se interessar em ler.

Quando li esta notícia, evidentemente me interessei (leia na íntegra aqui). Vou citar um outro trecho do artigo para contextualizar melhor:

O B-Samfundet tem origem na Dinamarca, onde o movimento foi criado no ano passado. Ainda neste outono europeu, a Sociedade B será introduzida na Noruega e na Finlândia, e para outubro está previsto o lançamento na Grã-Bretanha.

A Sociedade B se baseia em pesquisas científicas que indicam que cada indivíduo tem seu próprio ritmo biológico, uma espécie de “relógio interno” que é geneticamente determinado. Segundo essas pesquisas, uma “pessoa B” possui um ritmo interno de 25 a 27 horas, enquanto o de uma “pessoa A” tem um ciclo de 23 horas.

Não que eu particularmente goste da terminologia “Pessoa B”, mas acho que isso é irrelevante face à importância de um movimento como este. Qualquer notívago lendo este blog vai concordar comigo que suas vidas seriam muito mais fáceis e fariam muito mais sentido se a sociedade como um todo compreendesse que ser notívago não é uma escolha e, ao contrário do que muitas pessoas diurnas pensam, não é uma questão de disciplina. Ser discriminado ou julgado por ter um relógio biológico diferente é tão ruim quanto ser discriminado ou julgado pela cor da sua pele. E qual notívago nunca foi considerado “preguiçoso”, por exemplo, por não conseguir funcionar direito na parte da manhã ou odiar acordar cedo? Ou “indisciplinado” por não dormir à noite? Sendo o ritmo biológico algo geneticamente determinado, estes julgamentos são discriminatórios na minha opinião.

Eu ainda não pesquisei mais profundamente sobre este movimento, mas assim de cara me interessou absurdamente. Vou certamente pesquisar mais e até mesmo me envolver de alguma forma se houver a oportunidade.

Sem informações suficientes, eu fico sem embasamento para opinar sobre os impactos de um movimento como este. Consigo pensar em coisas como maior consumo de energia elétrica e água, por exemplo. Mas aí penso: por que pessoas notívagas (que são um grupo maior do que se imagina) não deveriam ter direito a consumir os mesmos recursos que uma pessoa diurna consome? Por outro lado, valorizar e aproveitar a produtividade das “Pessoas B” também traz a possibilidade de ampliação da produtividade, de vagas nas instituições de ensino, etc.

Bem, não vou me estender nesta linha de argumentação porque realmente ainda não tenho informações suficientes para isso. Mas queria dividir com outros notívagos o fato de que o mundo parece estar acordando (hehe) para a realidade de que diversidade existe até no que diz respeito a relógios biológicos. E aquela minha vontade de um dia morar na Inglaterra, só aumentou depois desta notícia. ;-) Vou acrescentar “Pessoa B” à descrição das minhas características pessoais, não é o melhor termo na minha opinião, mas já é um excelente começo! (mm… pensando bem, depois de ler isso, talvez não seja necessariamente ruim: “B means to be. B the one you are. B yourself. B unique!”) ;-)

Mais informações aqui:
B-Society.org