October 2007


Eu deveria criar a série “as coisas e pessoas mais estranhas que me acordam”. A de hoje foi assim:

(toca o telefone)

- Quem fala? (obs.: na cidade onde eu moro as pessoas têm esta hábito de perguntar “quem fala”. Sou originalmente paulistana e acho isso estranhíssimo, então sempre digo…)
- Com quem você quer falar?
- É da casa do Toninho?
- Não.
- É da casa de quem?
(huh? – não resisti…)
- Minha.
- Como você chama?
- Que diferença faz? Não é da casa do Toninho, você ligou errado.
- Ah, tá… É da casa da Cristina?
(Putz…)
- Não, né?
(entendeu agora ou quer que eu faça um desenho?)
- Ah, então desculpa, foi engano.
(NÃO DIGA!!!)

A pergunta que não quer calar é: por que eu não lembro de tirar o telefone do gancho antes de dormir? E antes que alguém pergunte, sim, eu tenho identificador de chamadas, mas troquei o aparelho por um que não tem para fazer um teste ontem, pois meu telefone tinha ficado mudo no sábado – seguido pela queda do Speedy anteontem (que, aliás – surpreendentemente – a Telefonica consertou em menos de 24 horas).

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Como de costume, passei a madrugada de ontem para hoje em claro. Fui dormir por volta das 5:30 da manhã. 9hs da manhã alguém toca a campainha. Saio na janela capengando de sono e lá está uma mulher:

- Ah, desculpa, te acordei?

(pensei comigo: “Não, a casa está toda fechada e eu estou com esta cara de sono porque eu não gosto de luz do dia e tenho esta cara mesmo… Mas ao invés disso, disse:)

- Sim, me acordou. Pois não…

- Eu sou (fulana) e nós estamos passando nas casas para incentivar as pessoas a ler a bíblia.

(respira fundo e conta até um bilhão…)

Do fundo do meu coração, com todo o repeito que eu tenho pela liberdade de crença, putaqueopariu!!! (acho que é a primeira vez que uso um palavrão no blog, só pra dar uma idéia…) Não é a primeira vez que acontece. Nem a segunda. Nem a décima. Acontece numa média de duas vezes por mês no mínimo, sempre aos finais-de-semana. Desta vez ainda foi mais tarde, mas já teve gente batendo na minha porta às 7hs da manhã de um domingo para “falar sobre a bíblia”.

Sinceramente, o que passa pela cabeça destas pessoas? Não, sério, me ajudem a entender, porque eu já estou tão pelas tampas com isso que não sei nem mais o que fazer. As pessoas têm o direito de ter suas próprias crenças, mas eu acho EXTREMAMENTE invasivo alguém tocar a campainha da sua casa, seja que dia ou horário for, para tentar impor estas crenças, para tentar te converter. Isso quando não ficam ofendidos ou te olham torto quando você diz que não tem interesse no que eles querem dizer ou quando não resolvem questionar suas crenças, como se não seguir uma religião específica fosse sinônimo de falta de caráter ou algo do gênero.

Este tipo de coisa deveria ser proibida. Deveria haver uma forma de evitar este tipo de assédio de dentro da nossa própria casa!! Eu honestamente não sei o que fazer para evitar isso, até porque dificilmente é a mesma pessoa que aparece. Eu não quero ser agressiva ou indelicada com ninguém, infelizmente estas pessoas lá no fundo acreditam que estão tentando fazer um favor, te ajudar de alguma forma, mas me pergunto se manter a gentileza não torna a coisa pior. Minha vontade é responder: “Você só pode estar brincando comigo, ter a cara de pau de tocar a campainha da minha casa num sábado de manhã, me acordar para dizer que quer me incentivar a ler a bíblia?? Você só pode estar brincando comigo!”

Fico pensando, de verdade, o que passa na cabeça destas pessoas. Eu jamais teria a cara de pau de sair aleatoriamente tocando a campainha das casas de estranhos para “falar sobre as minhas crenças”. Tem que ter uma cara de pau fenomenal pra fazer um negócio destes. E uma falta de noção e de respeito ainda maior. Já pensei seriamente em colocar um aviso bem ao lado da minha campainha dizendo “Se quiser falar sobre a bíblia, vá para a casa do lado e me deixe em paz”. Campainha devia vir programada com anti-spam. No dia que o Google lançar a “GBell” eu serei a primeira beta-tester. Ou então, as campainhas poderiam ter um sistema de atendimento automático: “Se você quer falar sobre a bíblia, vender balas ou rodinho de porta, tecle um”. Teclado “um”, a mensagem seria “Os residentes desta casa estão todos ocupados no momento. Por favor aguarde.” – e deixaria a pessoa “na espera” indefinidamente ouvindo a musiquinha mais irritante possível. Aliás, conheço várias empresas brasileiras que poderiam prestar este “serviço” de chamada em espera e contrataria o carro de som da “Rede Padovan de calçados”, que também me acorda com o som mais irritante do planeta, pra gravar a “mensagem” de espera. Se funciona para tantas empresas, acho que funcionaria maravilhosamente aqui em casa.

Será que assim este pessoal pararia de me encher o saco?? Tenham suas próprias crenças, eu respeito, mas me deixem em paz!!! Me deixem ao menos dormir! Será que é pedir muito? Se um dia eu quiser ler a bíblia, ou falar com alguém sobre a bíblia, eu mesma vou pessoalmente e por livre e espontânea vontade a uma igreja, combinado?

(edit): será que alguém me sugere uma boa resposta pra dar ao próximo aparecer por aqui?

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Saiu este mês na revista Época Negócios uma matéria sobre web 2.0 e “o poder do consumidor no mundo digital” (excelente matéria por sinal – e extensa. Vale a pena ler.). Fui entrevistada para a matéria para falar sobre o meu caso com O Boticário, sobre o qual escrevi aqui, como exemplo da influência dos blogs no mundo corporativo e nos processos de decisão de compra. Quem quiser ler a versão online completa, está neste link (mina parte nesta página). A matéria conta também com a participação do Alexandre Fujita (do Techbits), quem eu tive o prazer de conhecer pessoalmente na sessão de fotos. (Ele fala um pouco mais sobre a matéria neste post.)

Entrevista Época NegóciosMatéria Época Negócios

A Época Negócios não foi a única revista a publicar sobre meu caso com O Boticário para ilustrar a postura que a empresa adotou com relação a blogs e outros canais online.

Matéria Revista Info

Em Agosto fui entrevistada pela revista Info, que publicou na edição de Setembro um artigo entitulado “O Ibope do Boticário” (versão online aqui, mas precisa de login de assinante Info ou UOL). O artigo falou sobre a estratégia de monitoramento que O Boticário implantou através dos serviços da E-life, empresa especializada em monitorar e analisar a comunicação boca-a-boca sobre marcas, produtos e serviços feitos através de blogs, comunidades, fóruns, redes sociais, etc. (serviço muito interessante, por sinal – e já utilizado por muitas empresas. Interessante, também, é ver na home do site deles a nuvem com as 123 marcas mais citadas na internet brasileira).

Época Negócios, Revista Info, Revista SoluçõesEu não tenho o hábito de postar sobre estas coisas, mas por causa dos meus blogs, além das duas entrevistas citadas acima, fui entrevistada outras 4 vezes para matérias na mídia impressa. Entre elas, houve uma sobre blogs corporativos para a Revista Soluções da Telefonica Empresas (versão online aqui), com base no meu artigo sobre o tema. Depois uma outra sobre o Projeto 101 Coisas em 1001 Dias para o jornal A Tribuna de Vitória/ES (pdf da matéria aqui). As outras duas foram para publicações menores.

Na época em que todos os blogs debatiam a campanha do Estadão, eu propositalmente não me manifestei. Eu achei que parte da estratégia era justamente causar a discussão, então optei por não participar dela. Evidentemente, achei a campanha péssima. Mas depois destas duas matérias, na Época Negócios e na Info, acho que é apropriado dizer que enquanto estas revistas andam para a frente, o Estadão anda pra trás. Mídia impressa do mesmo jeito, mas com uma postura completamente diferente. Eu não vou entrar em detalhes sobre o que acho ou achei da campanha do Estadão porque este assunto já foi debatido exaustivamente. Mas quero, sim, dizer que estas matérias mostram que a co-existência destas duas mídias é possível e, mais do que isso, que elas podem trabalhar de forma simbiótica e colaborativa. Só o Estadão parece não perceber… E, se percebe, usou a estratégia errada para interagir com blogs, perdendo parte do respeito da blogosfera no processo.

Em tempo, meu relacionamento com O Boticário continua cada vez melhor. As vendedoras da loja da cidade onde moro compraram as revistas e me enviaram flores na inauguração da loja nova, à qual eu infelizmente não pude comparecer pois, coincidentemente, estava em São Paulo justamente para a sessão de fotos da matéria. :-p

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Estou num dilema:

Quando eu comecei este blog e registrei o domínio sinestesia.co.uk, foi porque eu queria a palavra “sinestesia” no domínio e todos os outros (.com, .net, etc) já estavam registrados. Na época eu não estava preocupada com tráfego, com SEO, só queria mesmo era o domínio com a palavra “sinestesia” e sair escrevendo.

Passado este tempo todo, hoje eu sou uma pessoa muio diferente daquela que começou a escrever o blog. Há posts antigos que eu gosto, outros que preferia não ter escrito. Faz parte, eu sei. Até acharmos nossa “voz”, nosso estilo de blogar, os assuntos que realmente nos inspiram, vai um tempinho e uma seqüência de tentativas e erros.

Mas hoje, depois de mais de 3 anos, sinto que estou numa fase diferente. E não sei se este blog reflete mais quem eu sou hoje, especialmente posts mais antigos. Além disso, a blogosfera mudou. Evoluiu. Eu junto com ela. E passei a questionar uma série de coisas, entre elas a identidade do blog e se ter ou não um foco específico tornaria o blog melhor.

Adicionalmente, hoje o domínio sinestesia.co.uk me incomoda um pouco. Pra ajudar, na minha ignorância da época, ainda coloquei o blog no subdiretório /blog ao invés de instalar tudo no diretório raiz. Tudo errado, mas erro honesto de quem estava começando.

Enquanto isso, eu registrei o domínio patriciamuller.com. Coloquei um site pessoal estático lá por um tempo, depois deletei. Alguns meses atrás instalei o WordPress lá, mas não escrevi nada. Semana passada eu finalmente tomei vergonha na cara e resolvi trabalhar no blog. Instalei tema, plugins, escrevi páginas de conteúdo. E optei por fazer um blog em inglês por lá por uma série de motivos, tanto pessoais quanto profissionais. Uma vez feito isso e, com tudo o que escrevi acima sobre o Sinestesia, comecei a questionar se não seria melhor ter meu blog em português num subdomínio do patriciamuller.com (não sei se recomeçando do zero ou se importanto a base de dados daqui). Tenho a impressão de que o sinestesia.co.uk já deu o que tinha que dar – do ponto de vista do domínio. Mas aí começaram a passar as seguintes coisas pela minha cabeça:

  • O Sinestesia já tem história, já tem sua audiência fiel e, bem ou mal, tem um histórico da minha evolução em vários aspectos.
  • Este domínio já tem hoje PR5 – que, embora inferior ao PR6 do patriciamuller.com, não é de se jogar fora.
  • Se eu importar a base de dados aqui do blog para o outro domínio, a questão da identidade permanece. Se eu não importar, vai parecer que é um blog novo de alguém que não tem experiência ainda. Além disso, como as referências ao nome do blog são muitas, o que fazer com relação ao nome do blog, já que estaria num domínio que nada tem a ver com a palavra “sinestesia”? E que nome dar ao novo blog?
  • No cenário em que eu importasse os dados para o outro blog, o que fazer com este?

Eu tenho pra mim que considerando meu momento de vida e todas as outras coisas que escrevi no início, faz mais sentido passar meu blog para o outro domínio. Entre outras coisas, ao menos o domínio em si já tem uma identidade própria: meu nome. Com o amadurecimento da blogosfera, um blog pessoal ou profissional fica mais bem contextualizado sob um domínio com estas características. E tenho também a impressão de que gostaria de passar a ter um blog com um foco mais específico (o que pode mudar, mas…). Uma terceira alternativa seria começar o blog lá do zero, como foco que eu quero dar, e manter o Sinestesa ativo, ou seja, manter 2 blogs em paralelo. Aqui eu continuaria a escrever sobre qualquer assunto e lá escreveria com mais foco, algo um pouco mais profissional.

Enfim, muitas dúvidas. De uma forma ou de outra, um blog em português no patriciamuller.com eu vou começar. No diretório raiz, fica o blog em inglês. Mas, o que fazer com o Sinestesia? Importar ou não a base de dados pra lá? O que vocês acham?

Em tempo, o Sinestesia não é meu blog mais rentável, porque eu tenho um blog com PR7 que tem resultados muito superiores e mais significativos, mas ainda assim o Sinestesia é o que tem mais clicks em AdSense e tem apresentado crescimento constante e consistente. Outro fator a se considerar…

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Inspirada pelo site Computer Stupidities (que traz uma compilação de relatos engraçadíssimos, por sinal), resolvi postar sobre uma história verídica que aconteceu comigo. Sempre que este assunto surge eu conto esta história, mas nunca havia me passado pela cabeça relatar aqui no blog. Aconteceu em 1999 quando eu trabalhava numa pequena agência de desenvolvimento web que, entre outras coisas, vendia pacotes de comércio eletrônico (na época tínhamos várias lojas no shopping do UOL). Os preços dos pacotes variavam de acordo com as funcionalidades, então sempre que um cliente novo ligava com dúvidas, explicávamos as diferenças.

Belo dia liga o dono de uma empresa de cosméticos. Depois de uns bons 5 minutos conversando com ele, explicando sobre cada pacote e tirando dúvidas, seguiu-se o diálogo abaixo:

(ele): Ok. Mas e a logística, como fica?
(eu): Logística? Como assim?
(ele): A entrega. Como eu entrego os produtos comprados pelo site? Digamos que alguém entre na loja e compre um shampoo. Como é feita a entrega?
(eu): Bem, nós não trabalhamos com logística. Nosso serviço é desenvolver, configurar e manter sua loja online e uma vez que você receba o pedido através do sistema, terá que cuidar da entrega usando o método da sua preferência.
(ele): Mas aí fica complicado, hem? Eu não entendo, se vocês montam a loja, como é que não cuidam da logística?
(eu): (??? baita cara de interrogação…) É como eu lhe expliquei, nós desenvolvemos, configuramos e fazemos a manutenção da loja online. Mas a entrega tem que ser feita por correio ou transportadora, ou então dependendo do porte da sua empresa e do volume de vendas, uma outra alternativa é vocês terceirizarem toda esta parte para uma empresa de logística.
(ele): Putz, mas aí vai ficar bem complicado… Será que não dá pra vocês configurarem a loja para as entregas serem feitas por email?
(eu): Por email??? Peraí, o que você está dizendo é que quer entregar um shampoo por email? (a esta altura eu comecei a achar que poderia ter entendido errado, mas…)
(ele): Isso, exatamente! (num tom levemente “superior”, como se eu “finalmente” tivesse entendido o que ele estava tentando dizer)
(eu): Não dá pra fazer isso. Não é possível.
(ele): Como assim não é possível? Se vocês não fazem, tenho que procurar uma outra agência que faça.
(eu): Então, veja bem, você não vai encontrar uma agência que faça isso. O que estou tentando lhe explicar é que não é que “nós” não fazemos, mas que é fisicamente impossível fazer isso. Um shampoo é um objeto físico, um email é uma mensagem eletrônica, não tem como enviar um objeto físico através de uma mensagem eletrônica.
(neste ponto todo mundo à minha volta me olhava com cara de espanto, risadinhas pipocando aqui e ali e eu tendo que manter a compostura)…
(ele): Ah, sei… Bem, neste caso então não tenho interesse nos serviços de vocês. Se eu não posso enviar meus produtos por email, não tem por quê eu ter uma loja online.

Acho que dispensa comentários… A não ser um: o sujeito era o DONO da empresa. Se não me falha a memória, era uma empresa de médio porte, mas a esta altura do campeonato eu não lembro mais qual era o nome da empresa. De qualquer forma, ele era o DONO e é isso que torna esta história lamentável.

Sei que parece mentira ou até mesmo que foi uma pegadinha, mas com base no comportamento dele durante toda a ligação, tom de voz e tipo de dúvidas (as anteriores a esta), me pareceu bem legítimo. E sabemos que este tipo de coisa acontece com uma certa freqüência. Estamos em 2007 e ainda há pessoas que mal sabem usar email.

Ainda ontem apaguei um comentário de uma pessoa que deixou o endereço residencial completo dela (com cep, inclusive), pedindo para que eu lhe enviasse receitas de bolo diet (??) pelo correio! (Sem sequer entender que estava fazendo um comentário que poderia aparecer pra quem quisesse ver.) Uma outra pessoa que não conseguia trocar a foto do perfil no Orkut deixou (pasmem!) o email e a senha em um comentário pedindo para eu ajudá-la (não testei, obviamente!). Não sei o que é pior: se é o fato de a pessoa me passar dados confidenciais de acesso à conta dela, se é não perceber que ao postar um comentário qualquer pessoa poderá ter acesso à conta dela ou se é sequer se dar conta de que o que está fazendo é postar um comentário em um blog e não mandar uma mensagem privada. Se isso acontece hoje, imagina nos idos de 1999.

Bem, esta é minha história no estilo “Computer Stupidities“. :-)

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Eu me mantive distante da febre do Twitter até agora. Criei uma conta no Jaikunomezinho feio!), onde postei algumas vezes e configurei meus feeds para atualizar tudo automaticamente – algo que considero uma grande vantagem do Jaiku sobre o Twitter, além, evidentemente, da opção de comentários inexistente no Twitter. Verdade seja dita, o Jaiku é bem melhor – e agora, depois de comprado pelo Google, o potencial fica ainda maior. No entanto, está todo mundo no Twitter, então relutantemente me rendi aos seus encantos e resolvi experimentar. Duvidando piamente que iria postar alguma coisa com alguma regularidade. Ledo engano: por que estas coisas têm um potencial viciante tão grande? Twitter é um aplicativo simples, muito simples. Funções limitadíssimas. Não permite adição de feeds. Eu nem sequer consegui usar Twitter com celular até agora (não consigo enviar o código de confirmação). No entanto, tenho postado regularmente nos últimos dias e acompanhado as conversas. Talvez passe. Talvez seja só uma fase, como muitas outras que vêm e vão. Mas, enquanto ela durar, você pode me acompanhar aqui e também na barra lateral aqui do blog onde aparecem agora as 5 últimas atualizações.

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Entre as minhas mais remotas memórias da tenra idade de 3 anos, já estão aulas de ballet. Collant rosa bebê, mini-sapatilha, meia-calça na cor do collant, faixa acompanhando no cabelo. Apresentações com pais e mães recheando a platéia, aquelas coisas… Eu adorava. Minha paixão pela dança já era evidente desde esta idade, estava no sangue. Se não estava dançando na aulinha de ballet, estava dançando em casa, criando coreografias com meu limitado repertório de passos que, com os anos, já não mais se limitavam a passos de ballet. Não podia ouvir uma batida de música que saía dançando. E cantando também, a propósito. E assim os anos foram passando.

Chegou a década de 80. Eu fui adolescente nos anos 80, então fazer aula de jazz em tempos de Flashdance era o que havia de mais “in”. Eu não gostava, eu adorava!!! Para mim aquilo não foi uma fase, como foi para muitas meninas da minha idade na época. Eu levava muito a sério. Contava as horas para as aulas de jazz, ensaiava exaustivamente pois minha personalidade perfeccionista não permitia que eu dançasse “mais ou menos”. Com o tempo, passei a faz aulas de dança todos os dias da semana, exceto finais-de-semana – quando, admitidamente, praticava sozinha em casa.

Eu fazia outras coisas. Natação. Ginástica olímpica. Vôlei, basquete. Competia. E gostava. E dava o melhor de mim, sempre. Mas não tinha por estes esportes a mesma paixão que tinha pela dança.

Belo dia, apareceu no clube onde eu era sócia uma aula de dança de salão. Fui fazer, claro. Estava com 17 anos. Adorei! Aprendi o básico de vários ritmos. Mas durou pouco tempo, não lembro qual foi o motivo nem quanto tempo durou exatamente, mas sei que esta aula foi extinta.

Continuei com as outras danças. Jazz e ballet clássico. Não que eu goste muito de ballet, aliás de todas as danças que já fiz é a que menos gosto (bem chatinha e comportada demais pro meu gosto) mas é uma base técnica que faz muita diferença, então eu continuei a fazer por este motivo. Certa época cheguei a arriscar até um sapateado também, mas quem freqüentou mesmo estas aulas foi minha irmã. Eu não tinha tempo pra fazer tudo o que queria. Eu fazia aula de um bocado de coisas.

Anos 90. Entrei para a faculdade e no primeiro ano achei um studio de dança em São Paulo bem interessante. Passei a fazer aulas lá. E por lá fiquei um tempo, até que resolveram fechar. Levei uns bons 6 meses para achar outra academia, onde não havia turmas avançadas – e a esta altura do campeonato, eu já estava além do básico e do intermediário. Mas, por falta de opção, por lá mesmo acabei ficando por aproximadamente um ano. Era bem fraco, mas era o que tinha. Depois extinguiram a turma também – aí eu estava já com 22 anos. Neste meio tempo, comecei também a fazer academia. Mas não havia meio de me adaptar aos exercícios de academia. Musculação, esteira, bicicleta, aeróbica… Achava aquilo tudo por demais entediante e sem a metade da técnica que a dança exigia. E, cá entre nós, sem a metade da “alma” da dança, na minha percepção pelo menos (que me perdoem as pessoas que gostam de academia…). O negócio comigo era mesmo dançar.

No entanto, não consegui achar nenhum studio na época que me agradasse. O que é particularmente estranho, em se tratando de uma cidade como São Paulo, mas foi assim mesmo. Acostumada a uma rotina de exercícios intensa, resolvi procurar outra coisa pra fazer, porque parada eu não ia ficar. E assim fui parar na academia Yashi de ginástica olímpica em São Paulo, uma das melhores do país. Eu já tinha feito ginástica olímpica por duas vezes antes e gostava. Entrei de cabeça. Treinava 4 horas por dia, 6 dias por semana. Isso depois das 7hs da noite, que era o tempo que eu tinha depois da faculdade e do trabalho. Fiquei afastada da dança neste período, que durou aproximadamente um ano e meio, se não me falha a memória. Na época os professores do Circo Escola Picadeiro, em São Paulo, passaram a também dar aulas na Yashi. E lá fui eu me aventurar a fazer também aulas de circo ao mesmo tempo. Mas, como tudo na vida passa, também esta fase passou.

E a fase seguinte foi a de trabalho – muito trabalho. Pouco tempo depois engatei um MBA. Eu levava aquela rotina maluca de agência de internet em que não existem noites ou finais-de-semana. Muitas vezes saía do trabalho para o MBA à noite e voltava para o trabalho depois da aula, por lá ficando madrugada adentro. Com isso, a dança mais uma vez ficou para trás. Aliás, todo e qualquer tipo de exercício. Eu mal tinha tempo para jantar, que dirá fazer exercícios físicos. Em períodos em que a vida estava um pouco mais calma, até tentei me matricular em academias mais algumas vezes, mas realmente aquilo não dava certo, não era pra mim. Ia assiduamente por umas 2 semanas. Na terceira já ia menos vezes. Coisa de um mês e meio depois, parava. Este ciclo se repetiu algumas vezes. Acabei desistindo de vez.

E assim os anos foram passando. Entre fases de trabalho exaustivo e inércia total, as atividades físicas que foram parte significativa da minha vida até então tornaram-se inexistentes. Em 2002 me mudei para o interior do estado. E continuei sem praticar exercício físico nenhum. Não conhecia nenhuma escola de dança aqui e não queria jogar mais dinheiro fora com academia. Mas… em 2005 acabei cedendo por falta de opção, porque os quilos a mais precisavam ser controlados. Eu tentei. Juro que tentei. Mas não virou nada. Já falei que esse negócio de academia não é pra mim? Pois é…

Podia parecer que isso era desculpa pra não fazer exercício. Mas não era. Eu dizia: “Se eu achar uma aula de dança legal, eu volto a fazer. Mas academia não vai dar mesmo!” Nem todo mundo comprava este meu argumento, mas ele era verdadeiro.

Demorou… Estou aqui há mais de 5 anos. Mas, mês retrasado eis que do vácuo total eu descubro uma aula de dança de salão na academia que fica a 3 minutos da minha casa, com opção de aula coletiva ou personal. Não pensei nem duas vezes. Me matriculei com personal, porque aula coletiva pode ser mais barata mas é completamente improdutiva para alguém como eu. Eu preciso de alguém que explore o máximo do meu potencial e preciso sentir que estou evoluindo rapidamente. A atenção exclusiva de um instrutor personal garante que os mínimos erros sejam corrigidos (já falei da minha personalidade perfeccionista? ;-) ), que a evolução seja rápida e que o exercício seja mais completo. E você não precisa dividir o tempo de dança da aula com outras pessoas: aprende o passo e já dança com quem sabe dançar (o professor) – e não com alguém que está aprendendo, muitas vezes num ritmo muito inferior ao seu, prejudicando seu aproveitamento da aula e interferindo negativamente na evolução do seu aprendizado.

Depois de alguns desencontros, mês passado comecei a fazer aulas duas vezes por semana. Já cheguei querendo aprender tango. Sei não, mas tenho pra mim que ao ouvir isso o professor previu uma longa e tediosa hora de aula! :-) (Cleber, se algum dia você passar por aqui, pode me confirmar esta hipótese. ;-) ). Eu no lugar dele teria pensado exatamente isso: “Putz, será que não dava pra ser algo um pouquinho mais básico, com base dois-pra-lá-dois-pra-cá?”. Já eu, do meu lado, gosto de um bom desafio. Sempre ouvi dizer que dançar tango era difícil, então era este mesmo que eu queria. E achei que com a minha base de dança dava pra encarar e que iria conseguir pegar com certa facilidade. Ele topou. E assim foi. E foi bem, acredito. Na primeira aula aprendi e consegui de fato dançar uns 6 passos, se não me engano. Depois disso, tango já virou uma das minhas paixões. Falta muito chão ainda pra eu poder dizer que de fato danço tango, mas eu chego lá! (Coincidentemente, há uma outra Patricia Müller no mundo que dança – e dá aulas – de tango.)

Não tem um mês ainda. Mas já estamos no quarto ritmo (a cada aula acrescentamos um, além de dançar os das aulas anteriores). E me pergunto como consegui passar tantos anos sem dançar. Bem, dançar de vez em quando na balada não conta, certo? – mas eu me acabo em pista de dança sempre que tenho a oportunidade, verdade seja dita. Como eu disse, está no sangue.

Agora quero intensificar estas aulas – de duas para cinco vezes por semana. Por mim, sinceramente, faria no mínimo duas horas por dia, todos os dias. Dançar está entre as coisas que fazem com que eu me sinta melhor na vida, com que eu me sinta viva. Lado a lado com sair na chuva de propósito. ;-) Algo muito distante do tédio de andar em cima de uma esteira ou levantar pesinhos (argh!). Altamente aeróbico e, para quem não sabe, feito da forma correta, um exercício também localizado que trabalha toda a musculatura – sim, barriga inclusive. Trabalha a postura também. Hoje, particularmente, estou toda dolorida – coisa que, curiosamente, não aconteceu nas primeiras aulas.

Como bônus, fazer aula de dança é algo que você usa fora da sala de aula também. Se você tiver marido/namorado/etc. que gosta de dançar, ainda melhor. Tem coisa mais bacana do que um casal que sabe dançar bem? E é uma verdadeira terapia. Algumas pessoas vêem a dança de salão como uma coisa meio “antiquada”. E, sim, de fato existem alguns ritmos mais clássicos como a valsa, por exemplo, mas esta imagem é reflexo de falta de conhecimento, pois em dança de salão se aprende até forró universitário. Vai do gosto de cada um. Eu estou aberta a todos. Vou experimentar todos e escolher meus ritmos preferidos para aperfeiçoar.

Por enquanto, estou adorando estar de volta a este mundo que havia ficado lá atrás para mim. E fica a dica pra quem, como eu, não gosta de academia: dançar é uma excelente opção! Ah, sim, e este é mais um ítem da minha lista de 101 Coisas em 1001 Dias que eu risco – este com bastante gosto! :-)

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