January 2007


Estava dando uma olhada nas estatísticas do blog e vi que alguém chegou aqui procurando pelo seguinte:

“como pensar se estou certo ou errado no meu raciocinio”

Vejam que coisa profunda! Paradoxal… cíclica…

Os links no resultado desta busca que trazem o leitor para este blog, apontam para a catgoria “Filosofando” e para este post (que, evidentemente, não responde a pergunta). Mas – vejam só – estranhamente, o resultado desta busca traz, também na primeira página (antes do meu link, inclusive), o link para a categoria “Reflexões” no blog do Marcelo (meu ex-marido, pra quem não sabe). Má, será que temos as respostas para as perguntas paradoxais que atormentam os navegantes da grande rede? O Todo Poderoso parece achar que sim, veja “quanta intelectualidade, quanta consciência e capacidade de abstração nós temos”! ;-) hehehe Foram os 11 anos de convivência e o “overload” de papos cabeça que tivemos – e continuamos a ter. Só pode ser!

Brincadeiras à parte, como todo mundo, eu recebo minha parcela de visitas de pessoas que buscam por coisas bem estranhas, para citar só algumas recentes:

  • sou uma pessoa (Ufa! Que bom, bem vindo(a)! Na verdade, bem-vindo(a)s, pois nada menos do que 17… pessoas… fizeram esta busca. Bom, pelo menos estes indivíduos que chegam por aqui, aparentemente, são “pessoas pensantes” – ou pelo menos estão tentando pensar, né? Parecem às vezes um pouco confusas, como o cidadão – ou cidadã – citado acima, mas já é um bom começo…)
  • silicone pelo umbigo (não posso reclamar desta, eu escrevi sobre isso! Mas, não deixa de ser uma busca estranha…)
  • sofá inflável (também escrevi sobre isso…)
  • fotos de pessoas estigmatizadas (hã???!!!)
  • site do tédio (hehe, melhor maneirar na categoria “Filosofando” ;-) )

Mas felizmente, de uns tempos pra cá, a maioria dos termos de busca utilizados pelas pessoas que chegam aqui no blog tem estado em coerência com o conteúdo, o que é ótimo. O que não tira a diversão de olharmos os termos mais estranhos. :D Se um dia eu tiver paciência, faço um apanhado geral dos mais “interessantes”, como já vi em muitos blogs. Estes posts em geral são hilários! Outro dia li um que quase me fez cair da cadeira de tanto rir, mas infelizmente não lembro em que blog foi. Se você que está lendo já postou sobre isso no seu blog, mande um trackback pra cá ou deixe o link nos comentários. Eu vou ler com certeza. :-)

[14] Comentários 

Eu me recuso a entrar em detalhes, mas ontem minha vida passou por um momento tão surreal quanto um quadro do Salvador Dalí. E este momento, muito embora eventualmente vá ficar no passado, representa algo que estará permanentemente na minha realidade, para todo o sempre.

“Way to go, champ!” (piada interna pra quem sabe sobre o que estou falando).

Acho que eu deveria escrever um livro da minha vida. Na categoria ficcção, claro, porque ninguém acreditaria se eu tentasse vendê-lo como biografia…

[13] Comentários 

Por motivos totalmente alheios ao meu controle, a experiência da noite passada não foi possível. Dormi um total de 3 horas e estou exausta! Isso significa que o meu segundo bloco de sono de hoje terá que ser mais longo.

Bem, mas com ou sem ajustes no pré-teste, amanhã vou começar oficialmente a experiência e se os ajustes forem necessários, eles serão feitos ao longo do caminho. A partir de agora eu vou postar aqui somente updates semanais (não vou transformar este blog num diário do meu sono!), a não ser que algo de muito relevante que valha a pena ser mencionado aconteça. No entanto, vou manter um log detalhado em outro blog que vou criar especificamente para registrar em detalhes todas as minhas experiências de 30 dias, começando com esta de sono bifásico. Eu ainda não tenho o endereço deste blog porque não decidi se coloco num diretório aqui do Sinestesia, num diretório no patriciamuller.com ou se crio um domínio exclusivamente para isso… Mas assim que tiver o endereço, eu posto aqui no blog para que quem tiver interesse possa acessar.

A idéia de documentar esta experiência é manter um histórico pra mim mesma e para servir de referência para alguém que também queira tentar, já que há pouquíssimo ou quase nenhum material em português sobre sono bifásico. Eu sei que não é um assunto de interesse da maioria (por isso vou documentar em lugar separado), mas sempre há pessoas que podem se beneficiar de alguma forma de uma experiência como esta, então acho que vale o esforço.

Bem, por enquanto é isso, um ótimo dia pra todo mundo – o meu pelo visto será sonolento… ;-)

[5] Comentários 

Como eu disse no post anterior, pra quem não leu, eu vou fazer uma experiência de 30 dias com sono bifásico. Antes de iniciar a experiência oficialmente, preciso definir os horários e tempos de duração dos meus blocos de sono, então estes dias estou observando o comportamento do meu organismo, já dormindo em 2 blocos de sono distintos, mas sem horários definidos. Hoje é o quarto dia, mas considero esta etapa de pré-teste.

Minha intenção inicial para hoje (bem, ontem) era ter ido dormir entre 4 e 5 horas da manhã e observar, já que meu corpo já está se acostumando com a nova rotina, quanto tempo ficaria dormindo sem que eu fizesse nada para controlar as horas dormidas. Mas, pouco depois das 5 da manhã recebi um telefonema – é, algumas pessoas me ligam neste horário ou durante a madrugada, mas a lista das pessoas que eu de fato atendo nestes horários é pequena. ;-) Este telefonema me obrigou a atrasar o sono em algumas horas – acabei indo dormir às 8 da manhã, o que mesmo para uma pessoa com um sono tão irregular como o meu, é bem extremo.

Mesmo assim, acho que de fato meu corpo já está se acostumando com a rotina nova, porque eu dormi por 4 horas e acordei sozinha me sentindo totalmente descansada. A tarde correu normal e por volta das 7:30/8:00hs da noite o sono bateu. Então entrei no segundo bloco de sono, que durou quase 3 horas. (lembrando que eu não estou usando despertador, estou deixando o corpo me “dizer” quanto tempo precisa dormir.)

Então, no total eu dormi 7 horas – bem menos do que o meu corpo normalmente precisa. Isso aconteceu em outros 2 destes 4 dias. A única diferença foi que hoje eu não estou me sentindo tão descansada quanto nos dias anteriores. Como a única variável alterada foi o horário em que eu iniciei o primeiro bloco de sono, acredito que esta tenha sido a causa. E, evidentemente, foi uma exceção, eu não costumo ir dormir às 8 horas da manhã… Então, de hoje para amanhã vou antecipar o horário do primeiro bloco. Acredito que até as 4 da manhã no máximo o sono vai bater. Possivelmente antes das 4.

Estou fazendo estes pré-testes com horários diferentes porque não quero impor um horário que meu corpo não vá achar natural. Eu quero estabelecer um horário fixo, mas quero que este horário seja o mais natural possível para mim.

O horário do segundo bloco tem se mantido razoavelmente consistente, entre 6:30 e 7:30 da noite. Eu acho este horário muito bom pelo seguinte: andei pensando nas situações em que eu quiser ou tiver que sair à noite, ou estiver na casa de outras pessoas, por exemplo. Se eu fixasse um horário mais tarde, isso na prática complicaria demais situações como estas. Imaginem o segundo bloco começando às 10 da noite, por exemplo… Não seria exatamente prático. Antes das 6:30 também cortaria a tarde no meio. Então estou bem confortável com este horário.

O segundo bloco tem durado em média 3 horas, ou 2 ciclos REM. Está dentro do padrão de múltiplos de 90 minutos, por isso eu acordo tão descansada. No entanto, eu acho que o ideal seria um bloco de 2 horas no máximo neste horário. Mas 2 horas corta o segundo ciclo no meio, então talvez eu precise limitar a 1:30h. Com isso, eu vou precisar jogar 1:30h para o primeiro bloco, para compensar – e vou tentar manter o primeiro bloco em múltiplos de 90 minutos também.

Então o teste de hoje para amanhã será: iniciar o primeiro bloco por volta das 3 ou 4 da manhã, com duração estimada de 6hs (acordando, portanto, às 9:00hs ou 10:00hs) e o segundo bloco às 19:00hs (acordando às 20:30hs). Isso me dá um total de 7:30hs e me parece ser uma boa estrutura para começar a experiência oficial, caso esta quantidade total de sono seja suficiente e caso eu não sinta muita diferença na redução de tempo do segundo bloco. Se com 7:30hs eu me sentir cansada, aí eu terei mais um dia de pré-teste para ajustar a necessidade total de sono, talvez tendo que reavaliar o segundo bloco, mas com base nos últimos 4 dias, acredito que as 7:30hs serão suficientes – o que é incrivelmente espantoso pra mim, porque, como eu disse no post anterior, em geral preciso de 9 horas. Esta está sendo, pra mim, a maior surpresa desta experiência até agora. Se isso se mantiver consistente, será excelente! :-) Embora eu tenha dito no artigo anterior que economizar tempo não seja minha motivação ou meu interesse primário com esta experiência – e de fato não é – se este for um efeito colateral será bem-vindo.

Isso me faz pensar que uma pessoa que normalmente precisa de 7 horas de sono por noite, se adotar o sono bifásico possivelmente irá reduzir a necessidade de sono para 5:30hs ou menos (já li várias experiências de pessoas que tiveram uma redução considerável). É impressionante isso. Fico aqui me perguntando por que não testei isso antes e me questionando se a prática padrão de sono monofásico é de fato a mais adequada ou otimizada para o corpo humano. Pelo que ando lendo, aparentemente seres humanos são essencialmente bifásicos – não monofásicos. Por isso a maioria das pessoas sente bater um soninho em algum momento do dia, comumente logo após o almoço. Se formos buscar evidências nos nossos ancestrais, elas estão presentes em várias espécies de grandes macacos, o que é mais um indicativo de que a nossa natureza possa, de fato, ser bifásica e que o sono monofásico seja somente uma convenção social…

No artigo anterior, praticamente todas as referências que passei de sono bifásico e polifásico estão em ingês. Eu recebi alguns emails de pessoas interessadas no assunto, mas precisando de conteúdo em português. Dei uma pesquisada, mas infelizmente (pra variar), não achei nada de realmente interssante em português, a não ser esta entrada sobre sono polifásico, na Wikipedia PT. Se alguém achar mais alguma referência adicional relevante, por favor deixe nos comentários.

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Update: 02:45 – de fato o sono já está batendo. Acho que minha previsão para hoje vai fechar direitinho. :-)

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A minha vida toda eu tive problemas com sono. Não insônia, acho que conto nos dedos de uma mão as vezes na vida que tive insônia. Uma vez que eu deite a cabeça no travesseiro, não tenho dificuldades em dormir. Meus problemas sempre foram em manter o padrão de sono que a maioria das pessoas parece adotar.

Eu sou uma pessoa essencialmente notívaga, ou seja, meus níveis de energia atingem o pico no período da noite. Pode contar que entre as 8-10 horas da noite eu estou me sentindo totalmente energizada, pronta pra começar qualquer projeto, como se tivesse acabado de acordar depois de uma noite dormida maravilhosamente, independente do horário em que acordei. Dormir cedo vai completamente contra a minha natureza. Isso desde que me conheço por gente – tenho memórias remotas de ser colocada na cama pra dormir quando criança (nunca muito cedo, porque eu simplesmente não dormia) e ficar acordada brincando no escuro até as altas horas da madrugada. Invariavelmente, acordar de manhã cedo era um pesadelo. E este padrão me acompanhou a vida toda, apesar de por pelo menos 20 anos eu ter brigado contra isso com todas as minhas forças, completamente em vão, tentando me adequar aos “padrões sociais”.

Os problemas de você ser notívago(a) são vários. Há os problemas de ordem social e os de ordem prática, para citar apenas alguns:

De ordem social:

  1. Primeiramente, paira no inconsciente coletivo o equivocado consenso de que as pessoas produtivas acordam cedo. “Quem não acorda cedo é preguiçoso”. “Deus ajuda a quem cedo madruga” – todo notívago genuíno já ouviu estas frases na vida e as abomina! Isso não poderia estar mais longe da realidade, produtividade não tem nada a ver com o horário que se acorda, mas com como você usa o seu tempo quando está acordado. Mas em geral, por conta deste consenso equivocado, notívagos acabam sendo erroneamente vistos como pessoas que não são muito produtivas ou são preguiçosas ou indisciplinadas. Este é o primeiro problema.
  2. A maioria das pessoas que não são notívagas, acham que sono é uma questão de hábito. Que quem “gosta” de ficar acordado à noite só não consegue manter um ciclo de sono regular porque não se disciplina para isso. Este é outro grande equívoco. Se disciplina fosse a solução, eu não seria mais notívaga há anos, pois, acreditem, eu já tentei de tudo. Até os meus 30 anos, eu segui, com muita dificuldade (dada a minha natureza noturna) uma rotina “normal” como todo mundo: indo à escola, depois à faculdade e depois ao trabalho, conciliado até mesmo com um MBA à noite. E seguir estes horários que são naturais para a maioria das pessoas, além de ter sido difícil, não mudou minha natureza, não importando o quanto eu me disciplinasse. O que pouca gente sabe – e que eu própria descobri há não muito tempo – é que os hábitos de sono estão ligados a um gene. Dizer a um notívago que ele se sentirá energizado como “todo mundo” de manhã se se disciplinar para dormir nos horários “corretos” é o mesmo que eu dizer a uma pessoa que se ela se esforçar e se disciplinar vai mudar a cor dos olhos de castanhos para verdes. Simplesmente não é assim que funciona.

De ordem prática:

  1. Como a maioria das pessoas parecem não ser notívagas, o mundo está estruturado de forma que as atividades (comerciais, sociais, etc) se dão durante o dia e não durante a noite, o que torna a vida de um notívago bem complicada. Isso afeta todas as suas interações: profissionais, pessoais e familiares. Se você tem um sono incontrolável às 10 horas da manhã, assim como uma pessoa que não é notívaga sente um sono enorme às 3 da manhã, isso acaba afetando até mesmo sua vida profissional, caso você tenha um emprego “normal”. Um notívago tem duas opções: ou passa a vida brigando contra sua natureza para se adequar, ou se rende a aceitar sua natureza e escolhe empregos ou atividades profissionais que possa exercer em períodos não convencionais (que foi o que eu acabei fazendo). Ambas carregam sua parcela de limitações: a primeira implica em sentir-se exausto o tempo todo, especialmente na parte da manhã, acarretando em esforços enormes para manter a produtividade em níveis aceitáveis. A segunda implica em reduzir suas opções em termos de atividades profissionais e interações sociais, já que a maioria das posições convencionais exigem um horário regular iniciado na parte da manhã e a grande maioria das pessoas que você conhece dorme durante a noite enquanto você está acordado e vive durante o dia, parte do qual você está dormindo.
  2. Na mesma lógica do ítem anterior, quando você tem um estilo de vida que te permite flexibilidade de horário (como por exemplo trabalhar à noite e dormir na parte da manhã), você estará dormindo pelo menos uma parte do tempo durante o qual as atividades comerciais se dão. Como conseqüência, enquanto você está tentando dormir, o telefone da sua casa toca, seu celular toca, a campainha da sua casa toca, etc. Seu sono é interrompido um monte de vezes, então a qualidade do seu sono é afetada numa base diária. Ao mesmo tempo, por causa do primeiro problema de ordem social descrito acima, estas pessoas que estão tentando entrar em contato com você, acham um absurdo você estar dormindo às 10 horas da manhã, e você não vai ficar explicando pro mundo inteiro (bom, eu não fico!) que na verdade você está dormindo às 10 horas da manhã porque de madrugada, enquanto todo mundo estava dormindo, você estava dando duro trabalhando como qualquer pessoa, a única diferença é que você faz isso num horário diferente da maioria. Mas você sabe o que as pessoas estão pensando. Em geral, isso é irrelevante, mas dependendo da situação, esta imagem pode prejudicar algumas relações profissionais.
  3. Junto com o seu ciclo de sono, toda a sua rotina é alterada, inclusive a sua alimentação. Seguir uma dieta, por exemplo, é um desafio maior ainda do que seria para uma pessoa que dorme durante a noite. Se você acorda ao meio-dia, por exemplo, você vai almoçar ou tomar café-da-manhã? Você vai mandar pra dentro um jantar caprichado às 4:30 da manhã? Almoçar às 6 da tarde? Ou vai tomar café-da-manhã às 5 da matina antes de dormir? No início do ano passado, quando eu fui a uma nutricionista, foi um parto definir uma rotina de alimentação que se encaixasse na minha rotina de sono.

Bem, falei tudo isso até agora pra contextualizar. Aproximadamente 3 anos atrás, depois de muito ler e pesquisar, depois de muita briga comigo mesma para tentar mudar esta minha característica, eu finalmente resolvi que 20 anos de briga tinham sido suficientes e que era hora de aceitar que meu ciclo de sono era de fato diferente do da maioria das pessoas e viver de acordo com a minha natureza. Foi a melhor coisa que eu podia ter feito, nunca me senti melhor na vida com relação a sono. Mas, para colocar à prova final o que era realmente natural para mim, eu tomei a decisão de simplesmente ir dormir quando tivesse sono e acordar quando estivesse descansada, já que na época tinha flexibilidade para isso. Ignorei a existência de despertadores (que eu odeio, por sinal). Queria ver que feedback meu corpo me daria se eu o deixasse simplesmente fazer o que lhe fosse mais natural. O resultado foi interessante…

Conforme o tempo foi passando, eu notei que embora ficar acordada à noite fosse, comprovadamente, mais natural pra mim, manter uma regularidade de horário de sono era outra história. Em outras palavras, eu vi que o horário em que eu sentia sono e me sentia pronta pra dormir variava a cada noite. O resultado disso foi que meus hábitos de sono se tornaram os mais malucos que você possa imaginar que uma pessoa tenha.

Invariavelmente, de madrugada eu estou acordada, até pelo menos 3 horas da manhã – isso parece se manter estável, com raríssimas exceções. Mas a hora de ir dormir não segue um padrão fixo (posso ir dormir às 3, 4, 5, 6, 7 horas da manhã), alterando a hora que eu acordo e, conseqüentemente, a hora em que eu sinto sono na noite seguinte. Hoje, felizmente, eu tenho flexibilidade para manter este ritmo, mas não estou particularmente feliz com ele. Notívaga ou não, eu gostaria de manter uma rotina definida.

Pesquisei bastante e descobri que em algumas pessoas (uma porcentagem maior do que eu poderia imaginar) o ciclo circadiano não segue as 24 horas do dia. O corpo “acha” que o dia tem mais do que 24 horas. (Embora isso ainda não esteja comprovado, alguns estudo parecem indicar que este padrão esteja também ligado a um gene.) Em geral, estas pessoas têm 1) seus picos de energia no período noturno 2) uma enorme dificuldade em se manterem alertas na parte da manhã e 3) não conseguem manter uma regularidade de sono. Isso acontece porque, como o ciclo circadiano é alterado nestas pessoas, períodos de 24 horas não são a bússola natural do organismo. Bom, esta descoberta simplesmente me definiu! Meu ciclo circadiano não segue as 24 horas do dia. Perfeito! Isso explica, entre outras coisas porque, ao contrário da maioria das pessoas, eu consigo ficar 24, 32, 40 horas acordada direto sem o menor problema. Eu já cheguei a ficar acordada das 7 da manhã de uma sexta-feira ao meio-dia da segunda-feira seguinte (tá, isso foi uma exceção e uma necessidade, não uma escolha, mas eu consegui esta façanha). Isso também parece explicar por que eu preciso de mais horas de sono do que a maioria das pessoas – em geral, 9 horas de sono são ideais pra mim. Eu fico períodos mais longos acordada, portanto preciso dormir mais.

Tudo isso é muito lindo porque me trouxe respostas, mas não resolve o meu problema de conseguir manter uma rotina. Então eu comecei a procurar alternativas.

No blog do Steve Pavlina, ele fala em alguns artigos sobre sono polifásico. Sono polifásico é uma prática que consiste em recondicionar o sono dividindo-o em pequenos e múltiplos blocos ao invés de um único bloco de 8 horas. A modalidade de sono polifásico mais comum é chamada de Uberman Sleep Schedule, que consiste em dormir por 20 ou 30 minutos várias vezes por dia. Mas existem outras modalidades de sono polifásico menos radicais, como por exemplo dormir em blocos de uma hora e meia. A motivação de muitas pessoas para adotar esta rotina é ganhar tempo. Aparentemente, esta prática permite reduzir o tempo total de sono no período de 24 horas de 8 para 3, 4, 5 ou 6 horas, dependendo da modalidade que a pessoa escolhe, através da maximização da fase REM do sono. Eu não sei até que ponto esta informação é verdadeira, mas diz a lenda que pessoas como Leonardo da Vinci, Napoleão, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin, Winston Churchill, Thomas Edison e Nikola Tesla eram adeptos desta prática. Vai saber… Mas embora eu tenha achado isso interessante, curioso, meu problema não é economizar tempo. E eu acho que dificilmente conseguiria ou gostaria de manter uma rotina radical como esta, tendo que interromper minhas atividades várias vezes por dia para tirar um cochilo – sem falar que alguém que siga esta rotina precisa ter realmente muita flexibilidade de tempo e disposição pra acordar a cada meia hora de sono.

Entretanto, esta descoberta me fez ver que, ao contrário do que eu imaginava, uma grande quatidade de pessoas pelo mundo adotam hábitos de sono não convencionais. Não me senti mais tão isolada na minha realidade. :) E que talvez eu pudesse achar uma outra forma alternativa para tentar alcançar a regularidade de sono que eu preciso.

Foi aí que eu descobri o sono bifásico (que pode ser considerado uma modalidade de sono polifásico, na verdade). Auto-explicativo, não? Ao invés de dormir em um único bloco de 7, 8 ou 9 horas, você divide o sono em 2 blocos distintos, não necessariamente iguais, de forma a também maximizar a fase REM do sono. Idealmente, os blocos devem ser iguais ou múltiplos de 90 minutos, que é aproximadamente quanto dura um ciclo REM, embora possa variar de pessoa para pessoa. Aparentemente, permitir ciclos completos (ao invés de interrompê-los no meio) garante um sono de melhor qualidade. Isso já me pareceu bem mais viável. E bem mais próximo do que meu corpo parece achar que é natural.

Na minha pesquisa, descobri uma quantidade enorme de pessoas que já testaram este método e tiveram resultados tão positivos que resolveram adotá-lo como permanente. A vantagem do sono bifásico é que ele pode ser utilizado até por pessoas que têm um emprego das 9 às 6 da tarde – ao contrário do sono polifásico. Parece ser, inclusive, ser uma boa alternativa para mães de crianças pequenas, já que bebês/crianças pequenas naturalmente têm sono polifásico até aproximadamente um ano de idade, passando a bifásico a partir de então (possibilitando conciliar a rotina de sono da mãe e da criança). Através do sono bifásico, também se pode dormir menos horas no total, pois a lógica do ciclo REM é a mesma do sono polifásico. Mas eu não estou particularmente interessada nisso.

Na prática, um exemplo de como uma pessoa poderia dividir os 2 blocos é: dormir por 5 horas da 1:00 às 6:00 da manhã, depois dormir por 2 horas das 6:00 às 8:00 da noite. A escolha dos horários e da duração de cada bloco varia de pessoa para pessoa – da necessidade total de sono e da disponibilidade/flexibilidade de tempo individuais. Mas de qualquer forma, há bastante flexibilidade.

Então, depois de muito pensar, cheguei a conclusão de que valeria a pena fazer uma experiência. Lá no blog do 101 Coisas em 1001 Dias eu postei ontem um artigo falando sobre experiências de 30 dias. Com base nesta idéia, eu resolvi que vou fazer uma experiência de 30 dias com sono bifásico pra ver que resultados consigo com ele. Se der certo e eu conseguir manter uma regularidade, possivelmente vou adotá-lo indefinidamente. Caso contrário, terá valido a experiência.

Antes de começar o teste formalmente, nos 3 últimos dias, sem estabelecer horários definidos, eu fiz um pequeno teste de dormir em 2 blocos. Esta pequena experiência já me mostrou que meu corpo tem grandes chances de funcionar muito bem desta forma: eu dormi menos horas do que de costume, acordei me sentindo muito mais energizada, alerta e minha criatividade e produtividade aumentaram.

Eu ainda não escolhi um dia para começar a experiência oficial, porque estou ainda definindo os horários em que vou começar a dormir e os períodos de tempo de cada bloco. Mas assim que tiver isso definido, começo oficialmente a experiência e vou postar aqui no blog sobre ela ao longo dos 30 dias. Quem sabe outras pessoas com o mesmo problema podem tirar proveito indiretamente da minha experiência. Ah, sim, e com este post eu inicio uma nova categoria no blog, que vou chamar de “Experiências de 30 Dias“, pois esta é apenas uma das que pretendo fazer ao longo deste ano.

Como notas de curiosidade, bebês humanos são naturalmente polifásicos e vão diminuindo a quantidade de cochilos gradativamente, até que por volta de 1 ano de idade se tornam primariamente bifásicos. Não há nenhuma razão específica para que seres humanos devam ser necessariamente monofásicos, inclusive em algumas culturas a siesta (cochilo da 6a. hora) é uma prática comum e socialmente aceita. No mundo animal, existem muitas espécies que são polifásicas. Observe seu cachorro. ;-)Fonte.

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Este sábado estava programado para a Tathi vir com o marido (Marcelo) aqui em casa me trazer minha tão ansiosamente esperada chinchila “toque de veludo” (brown velvet). Tem pelo menos uns bons 8 anos que eu quero uma chinchila desta “cor” (o termo correto é mutação). Mas choveu a semana toda e não deu para ela vir no sábado, pois havia risco de enchente em Pouso Alegre, onde ela mora. Acabamos nos conformando em adiar a visita para o próximo fim-de-semana. Mas aí ontem a chuva resolveu dar um descanso e lá pelas 11 da manhã recebi um telefonma da Tathi avisando que já estava aqui na cidade.

Bem, além da tarde super agradável que passei com eles batendo um bom papo e tomando cafezinho, além de finalmente conhecer a Tathi pessoalmente depois de ANOS, ainda terminei o fim-de-semana riscando mais uma meta da minha listinha de 101 Coisas (que, embora vá ser alterada, iria conter este item de qualquer forma) e como nova “mamãe” desta doçura aí embaixo:

Preciso de um nome...

Agora ela precisa de um nome! Eu já pensei, pensei e não consigo escolher. Se aguém quiser sugerir um nome, deixe nos comentários, sugestões são bem-vindas. ;-) Ela tem apenas 2 meses e, como ainda é novinha, parece beginha. Mas na verdade (supostamente) o pêlo dela vai escurecer e ficar com uma cor mais canela, mais puxada para o marrom (o nome da mutação é brown velvet), como esta aqui, que, aliás, é avó dela.

Vou postar mais fotos dela no Flickr depois. Ela é muito mansinha, acho que já tem um temperamento dócil por natureza, mas a Tathi também fez um ótimo trabalho de acostumá-la ao contato, então foi bem tranqüilo interarir com ela ontem. No entanto, ela passou por uma viagem de 2 horas, uma mudança brusca de ambiente, foi separada da mãe e dos irmãozinhos, então ela já teve stress suficiente por um dia – não quis ficar incomodando a pequena ainda mais com flashes! Agora ela está descansando, entocada dentro da casinha de madeira dela (chinchilas são animais noturnos), mas mais tarde tiro mais algumas fotos.

Tathi, ela é linda! Obrigada. :-)

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Atrasadinha porque meu final de ano foi louquíssimo, espero que todos tenham tido um ótimo Natal e virado o ano em alto-astral.

Eu passei o Natal com uma amiga na casa de uns amigos dela (longa história) e foi muito bom. Queria ter passado com a minha irmã, mas não deu. Nem vou entrar nessa história, porque Natal na minha família é um lance complicado. No Ano Novo fui para Atibaia, passar com minha irmã e outros amigos. Era para eu ter ido no dia 30 (ou antes até), mas na última semana do ano eu abusei de tal forma da falta de sono (praticamente não dormi por 3 dias) e da alimentação inadequada (praticamente inexistente!) que no dia 29 caí de cama com uma gripe daquelas! Febre, tosse, corpo dolorido, aquela coisa. Então acabei indo para Atibaia somente no dia 31 mesmo, ainda não me sentindo 100% e debaixo de chuva (aliás, parênteses para comentar que por aqui não pára de chover desde o Natal!), mas valeu a pena. Foi ótimo. (fotos no Flickr) Voltei pra casa no dia 1o.. Dia 2 meu primo e a Paula chegaram aqui em casa para passar dois dias procurando casa para alugar, pois resolveram se mudar pra cá. :-) Minha gripe voltou e fiquei de molho novamente. Ainda não estou 100%, mas já estou quase.

Esta semana vou refazer minha lista de 101 Coisas. 2006 foi um ano de muitas transformações pra mim e a lista antiga, que nem completa estava, deixou de fazer sentido. Eu realizei muitas coisas da lista antiga, mas não tem sentido seguir uma lista com ítens que não refletem mais quem eu sou. Então, vou recomeçar do zero.

E por falar nisso, o projeto 101 Coisas em 1001 Dias está crescendo. Não sei se foi coincidência ou a chegada do Ano Novo, mas fato é que aumentou consideravelmente a quantidade de pessoas participando. Estas coisas em geral seguem uma lógica de progressão geométrica, são virais – quanto mais gente participa, mais gente descobre e passa a participar. Mas eu acho que a chegada do Ano Novo coloca as pessoas naquela mentalidade de estabelecer metas, então acho que isso ajudou. Eu estou curtindo escrever artigos lá no blog do projeto, este ano pretendo dar mais atenção a ele.

Bom, Feliz 2007 pra todo mundo e vamos voltar à programação normal do blog, certo? :-) (Acho posts de Natal e Ano Novo tão chatos! rs)

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