Ao contrário da maioria das pessoas, eu adoro chuva. Adoro sol também, mas minha reação quando começa a chover é contrária à que a maioria das pessoas têm.
Se eu sinto o vento começar a bater diferente (no interior a gente sente isso claramente), se ouço um trovão ou se começa a chover eu já abro um sorriso. Não importa se está frio ou calor, em geral a chuva pra mim é deliciosa. É claro que se eu estou saindo do cabelereiro pra ir a um casamento toda arrumada, esta é uma péssima hora pra bater uma chuva, mas fora isso, sou o tipo de pessoa que anda na chuva numa boa – e, não (meninas), meu cabelo não é naturalmente liso, mas a sensação de sair na chuva pra mim é tão deliciosa que “como o cabelo vai ficar depois” é simplesmente irrelevante.
Na verdade, eu saio na chuva de propósito. Isso mesmo, de propósito, pra me molhar mesmo – não para deixar cair uns pinguinhos na roupa, mas para ficar como se tivesse pulado numa piscina mesmo. Eu levo o ditado “quem sai na chuva é pra se molhar” ao pé da letra. Quem não acredita pode perguntar ao Marcelo. Loucura? Não, isso se chama aproveitar as coisas simples da vida, porque é algo que eu realmente gosto de fazer.
Tem feito dias muito quentes por aqui e de vez em quando cai aquela chuva gostosa. E como eu moro perto da serra, às vezes estas chuvas são bem fortes. Quanto mais forte melhor. Quanto mais trovões, relâmpagos e água, maior a minha empolgação. Nem preciso dizer que ando tomando vários banhos de chuva ultimamente!!
Simplesmente maravilhoso! Uma das delícias do verão…
Muita gente reclama de chuva. Mas pensem que coisa maravilhosa da natureza é a chuva. É vida – para as plantas, para os animais, para nós. Aliás, eu acho que é isso que eu sinto quando saio na chuva: vida, me sinto viva! Antes que alguém fale que chuvas também provocam enchentes outras coisas do tipo, sim, é verdade, mas a falta dela também cria problemas. Então vamos esquecer os extremos por um momento e pensar naquela chuvinha que bate em fim de tarde no verão, quando o dia foi quente, pra refrescar o início da noite… Ou naquela tarde de domingo que você tirou pra relaxar assistindo um filminho com pipoca. Ou quando você se deita pra dormir e cai no sono embalado(a) pelo barulho da água caindo lá fora… (se estiver bem acompanhado(a), ainda melhor, não?
) Tem coisa melhor?
Eu posso estar fazendo o que for, se começa a chover eu paro o que estou fazendo pra apreciar a chuva por uns momentos. Sentir o cheiro da chuva na terra e no asfalto, sentir o vento bater, ouvir o som dos pingos caindo no chão, no teto de casa, o som dos trovões. Ver a luz dos raios. E, se a situação permitir (e se não estiver muito frio, claro!), eu saio mesmo na chuva. Meus vizinhos devem me achar maluca, mas não importa. Quando você aprende a apreciar a chuva, a sensação de sentir a água na pele é maravilhosa. Pra mim, é como se me desse uma carga de energia. Depois de um bom banho de chuva eu me sinto nova em folha. Pra facilitar o entendimento disso – porque a esta altura você que está lendo isso pode estar pensando “que mulher doida, quem é que sai na chuva de propósito?” – pense no seguinte: tem gente que se sente muito bem quando entra em contato com a natureza fazendo caminhadas em trilhas, escalando, fazendo rapel, etc. Eu me sinto bem entrando em contato com a natureza através da chuva. Se sair na chuva fosse um esporte e queimasse calorias, eu estaria bem arranjada.
Mas, ainda assim, tem um efeito físico e mental revigorante.
Se você nunca tentou sair na chuva de propósito, não sabe o que está perdendo! Pegue um dia quente em que você esteja em casa de bobeira quando começar a chover e experimente. Se você morar numa casa com quintal, faça ainda melhor e saia na chuva sem roupa. Isso mesmo, sem roupa, como veio ao mundo! Soa pra você como uma prática meio pagã? – (conhece o clichê das bruxas dançando peladas na lua cheia em volta de uma fogueira?) Bem, dependendo do seu enfoque, pode até ser, mas se este não é o seu caso, veja isso como uma boa oportunidade de entrar em contato com a natureza de uma forma diferente (eu particularmente acho as crenças pagãs muito interessantes, mas eu gosto da chuva independentemente disso, minha fascinação pela chuva remonta dos idos do Guaraná a rolha). Esqueça o cabelo com escova, seja criança por um momento, sinta-se livre, simplesmente aproveite. Feche os olhos por uns instantes e explore os outros sentidos: sinta o cheiro da chuva, o toque da água na pele, os sons da natureza – da própria chuva, do vento batendo nas árvores, etc… Mas abrace a expriência, mergulhe na experiência de cabeça – se sair na chuva, saia para realmente se molhar. Se você não gostar, o máximo que vai acontecer é você ficar ensopado(a), daí é só tomar num banho quente e tudo resolvido. E, de bônus, você poderá dizer que já saiu na chuva de propósito uma vez na vida. É uma experiência como qualquer outra e acho que todo mundo deveria tentar isso pelo menos uma vez na vida. Por outro lado, se você gostar, terá uma nova “atividade” para alguns dos dias chuvosos e poderá curtir a chuva de outras maneiras.
E não me culpe se isso se tornar um vício.
– ou quando você, depois disso, descobrir que existem outras situações em que sair na chuva de propósito é no mínimo interessante, mas isso eu deixo a cargo da sua imaginação…
Agora se me dão licença, o vento por aqui já mudou, os pingos já começaram a cair e meu mensgeiro do vento está me avisando que está na hora de sair na chuva pra me molhar. Até mais!




