Opinião


Mais um caso de amadorismo em serviço de atendimento ao cliente no Brasil:

Ganhei uma uma lava-roupas comprada nas casas Bahia. Não é uma loja onde costumo comprar, mas estava com o melhor preço e as melhores condições. A máquina foi entregue ontem. Fiz a instalação direitinho e, conforme indicado no manual de instruções, coloquei a máquina para bater um ciclo antes de começar a usar. O ciclo parou no meio com a máquina com água pela metade e não fez mais nada. Nem tirar da tomada e colocar de volta resolveu.

Olhei a nota e liguei para o 0800 das Casas Bahia. O atendimento foi lento e 90% das frases ditas pela atendente foi: “Mais um momento por favor”. O resto foi repetição de informações que já haviam sido passadas no início, muitas delas desnecessárias na minha opinião, mas whatever. Ao final da conversa a atendente me informa que um técnico viria ao local no prazo de 1 a 5 dias:

-  Mas peraí, vocês não marcam pelo menos um dia?

- Não, o técnico tem de 1 a 5 dias para ir até o local.

- E se o técnico aparecer e eu não estiver em casa?

- Precisa ter uma pessoa em casa para atender o técnico.

- Você quer que eu fique dentro da minha casa por 5 dias esperando este técnico aparecer?

- Você precisa deixar alguém em casa para atender o técnico.

- Não tenho ninguém que possa ficar aqui se eu for sair.

- Mas precisa ficar alguém.

- Não. Isso não é nem um pouco realista. Vocês precisam NO MÍNIMO agendar um dia, melhor ainda seria um horário, mas no mínimo um dia.

- Um minuto por favor.

(Cada questão que eu levantava era sempre seguida desta última frase, pois a atendente não tinha condições de responder perguntas fora do script dela).

Ela então me pediu para repetir todos os dados que eu já havia passado e informou que para marcar um dia ou horário eu teria que entrar em contato com o fabricante. Pedi o telefone do fabricante e anotei o número do protocolo que, segundo ela, continuava válido. Como eles cruzariam o protocolo das casas Bahia com a GE eu não faço idéia, mas liguei então no número que ela me passou. Estava errado, era telefone de outra empresa, outra marca.

Já com a paciência pelas tampas, resolvi ligar diretamente na loja onde a máquina foi comprada. A primeira pessoa que me atendeu ouviu tudo que eu já tinha explicado duas vezes no atendimento ao cliente e disse que iria passar para a área de crediário:

- A máquina não foi comprada em crediário.

- Mas é com eles que você tem que falar.

(então tá…)

A pessoa do crediário que atendeu na seqüência ouviu tudo de novo. Pediu para eu aguardar um momento e eu ouço ela falando com alguém:

- Passaram uma ligação aqui no crediário sobre produto com defeito, o que tem uma coisa a ver com a outra?

(Você que está lendo isso provavelmente está pensando o mesmo que eu pensei). Ela então me disse que eu teria que falar com o “Alexandre” – e transferiu a ligação.

Pela quinta vez explico a situação. Ele me informa que a máquina seria trocada – quando o produto apresenta defeito nas primeiras 72 horas após a entrega, é trocado. Mas para isso eu teria que ir pessoalmente à loja com a nota fiscal. Perguntei se não bastaria passar os dados da nota. “Não, você precisa vir pessoalmente”.

Isso não faz nenhum sentido para mim, mas se não tem outro jeito, vamos até a loja. Estava ao menos satisfeita com o desfecho – muito embora isso significasse que eu ficaria mais uns 4-5 dias sem máquina (com pilhas de roupa para lavar), porque para facilitar eles não têm estoque na loja local e precisam pedir na central, que por sua vez fica em outra cidade. Enquanto me preparava para ir até a loja, me liga o vendedor que me atendeu quando a máquina foi comprada, querendo saber se era eu quem havia ligado e perguntando o que havia acontecido exatamente. Tudo de novo, explico tudo de novo mais uma vez. Ele agora está em dúvida se manda um técnico ou troca a máquina.

Se eu tenho direito a troca, quero outra. Ele queria me mandar a máquina que está em exposição na loja. Não, eu não quero a máquina que está em exposição na loja. Eu quero uma máquina nova, sem riscos, funcionando perfeitamente, embalada e entregue na minha casa. Isso é o que foi comprado. O vendedor foi bem atencioso até, mas acho impressionante que se tenha que passar por todos estes estágios para chegar a uma solução – que na verdade eu nem sei qual será exatamente ainda. Estou aguardando a ligação do vendedor.

Mais absurdo ainda é uma empresa passar um prazo de CINCO dias para enviar um técnico e assumir que todas as pessoas tenham circunstâncias de vida que permitam que haja alguém em casa todos os dias. Isso sem falar na total deficiência de treinamento dado aos atendentes que se embananam com qualquer pergunta fora do script deles. Ou é treinamento deficiente ou a capacidade de raciocínio desta atendente em particular é, digamos, comprometida.

Brasil, né gente? Brasil…

1 Comentário 

Madrugada. Resolvo ligar no Speedy para trocar minha conexão de 1M para 2M:

1a. tentativa: Senhora, nosso sistema está fora do ar, pode voltar a ligar daqui uns 15 minutos?

2a. tentativa: Depois de ouvir (de novo) o aviso sobre como os clientes serão compensados pelos problemas ocorridos no início de julho que ouço toda vez que ligo lá, selecionar todas as opções, fico na espera e a ligação cai.

3a. tentativa: Depois de ouvir novamente o aviso, selecionar todas as opções, fico na espera por uns 20 minutos e desisto.

Várias horas depois:

4.a tentativa: Depois de ouvir o aviso que já decorei, selecionar as opções que também já decorei, alguém finalmente me atende. Faz algumas perguntas e diz que vai passar para o departamento responsável. Porque, você sabe, quando você escolhe a opção “para comprar serviços”, não cai direto no “departamento responsável” ainda… Sou colocada na espera. Ligação cai.

Enquanto isso, o site do Speedy estava inacessível.

Comentário do Massao no Plurk resume tudo:

“Se para comprar vc já está com toda essa dificuldade, imagine então quando vc for cancelar o serviço.”

Pior… desconfio que estou pagando por 1M o que é hoje cobrado por 2M. Evidentemente, só vou ter certeza caso consiga falar com o “departamento responsável”. Porque o site, também continuo sem conseguir acessar.

Depois, quando eu não acompanho nem escrevo sobre política, quando não me envolvo nas discussões sobre como melhorar o país e digo que quero mudar daqui, me acham alienada e radical. Whatever. A verdade é que eu LOTEI de coisas exatamente deste tipo. Sim, todos os países do mundo têm seus problemas. Mas este país não tem vergonha, entra ano, sai ano, mudam os nomes, mas as notícias e os problemas continuam essencialmente os mesmos.

Há quantos anos reclamamos das empresas de telefonia? E de todas as outras coisas?

Vou dizer o que é alienação: é todas as noites por anos e anos a fio assistir o mesmo Jornal Nacional fazendo cara de indignação, depois relaxar e esquecer das notícias entuchando a cara numa novela – e, claro, transformar no assunto relevante do dia seguinte quem era a assasina da novela. (E eu só sei disso porque não tem como escapar dos comentários no Twitter e no Plurk.) Alienação é termos uma frase que diz “sou brasileiro e não desisto nunca” e isso ser dito como se fosse algo positivo. Que lindo isso: vamos dizer ao povo que ele tem que se orgulhar de ser persistente, pois a solução não é resolver os problemas e sim ter um povo que não desiste de enfrentá-los.

Fala sério, gente… Não, sério… Fala sério!

#prontofalei

[4] Comentários 

A discussão sobre resenhas pagas em blogs está dando muito pano pra manga – você pode ler várias opiniões no Nossa Opinião. Minha opinião sobre este assunto é a seguinte:

Muito embora resenhas pagas sejam vistas por algumas pessoas como “compra de opinião”, isso me parece falta de informação. Não dá para generalizar desta forma. O problema não está no modelo em si, mas na postura ética de quem recebe para fazer a resenha.

Eu ainda não fiz. Já tive algumas oportunidades, mas na época não pude fazer por falta de tempo. No entanto, não tenho problema algum em publicar uma resenha patrocinada e, se a oportunidade surgir novamente e as circunstâncias permitirem, o farei sem nenhuma hesitação – mas de forma ética. Aqui no blog eu já falei positiva e negativamente sobre diversos produtos, serviços e empresas. De graça. Nunca ganhei nada do Boticário, por exemplo, para escrever sobre seus produtos ou sobre a empresa, nem antes nem depois que isso virou parte da matéria na Época Negócios. Se eu publico estas opiniões de graça, qual é o problema em receber para publicar exatamente as mesmas opiniões, se a empresa está disposta a pagar por ela?

É preciso fazer uma distinção entre receber para escrever o que a empresa quer que você diga e receber para dar sua opinião, seja ela qual for. Ainda assim, pela linha que seguem as pessoas contra as resenhas pagas, agências de propaganda não deveriam existir. Elas ganham dos cliente não só para criar uma campanha falando bem sobre um produto ou serviço, mas também para criar um desejo e uma intenção de compra – quer a agência ache que o produto seja bom ou não. Se o contra-argumento para isso é que “as pessoas sabem que é uma propaganda”, avisar o leitor quando se trata de uma resenha paga mata este argumento. E qualquer blogger ético faz isso, além de não ser obrigado a dar uma opinião favorável.

Com isso em mente, eu acho que uma resenha paga a um blogger que vai dar sua opinião sincera é uma forma de propaganda muito mais autêntica e verdadeira. O que é bom, pois ninguém gosta de se sentir manipulado e, ao ser verdadeiro, o blogger está apenas expressando uma opinião. Não entendo por que isso é visto com maus olhos, quando é uma forma honesta de divulgação, quando ninguém está tentando manipular o leitor, ao contrário do que acontece com muitas campanhas de marketing às quais você está sujeito há tanto tempo que nem sequer questiona. Se eu acompanho um blog e vejo uma resenha destas sabendo que a opinião é sincera, a credibilidade e o valor desta opinião são para mim maiores do que qualquer propaganda veiculada oficialmente, online ou offline. O que estas empresas estão comprando não são opiniões favoráveis, elas estão comprando um espaço no blog de alguém para a emissão de uma opinião que pode trazer um bom retorno porque o boca-a-boca é a forma mais eficaz de propaganda. Ela carrega maior credibilidade por ser uma indicação pessoal. Evidentemente, eu também sou contra a venda da opinião em si, ou seja, contra uma resenha positiva que não corresponde à opinião real de quem a escreve. Mas, de novo, esta é uma questão ética ligada ao indivíduo postando a resenha e não com o modelo de resenhas pagas em si. É fundamental esta distinção.

Isso já foi falado por algumas pessoas, como o Manoel Netto, a Lu Monte e outros, mas para me juntar ao coro, se uma empresa me pedir uma resenha e não houver nada de positivo que eu possa dizer (ou se a opinião for negativa na sua maior parte), minha postura será a de informar isso à empresa e deixar que ela opte se quer ou não que o artigo seja publicado. Ou simplesmente recusar a resenha. É uma questão de respeito.

Também sou contra não avisar explicitamente ao leitor quando se trata de um artigo pago. Na verdade, se a opinião é verdadeira, nem acho que isso tenha assim tanta relevância como se prega, mas como isso é considerado como respeito ao leitor pela maioria das pessoas, explicitar a natureza da resenha adquiriu relevância por convenção. Além disso, explicitar esta informação mantém sua credibilidade pois você está sendo honesto com o leitor. Então se algum dia eu fizer um artigo pago, seguirei esta convenção. Na minha opinião, tratar uma resenha patrocinada desta forma (avisando o leitor) a torna mais respeitosa na medida em que, em alguns casos, aquela opinião, embora sincera, não necesariamente seria publicada se a empresa não tivesse pago para isso.

O blogger que opta por ser pago para escrever algo em que não acredita não está sendo ético. Ninguém gosta disso, mesmo as pessoas que defendem o modelo. Mas desonestidade é uma falha de caráter em qualquer meio ou circunstância e não um problema inerente à compra de resenhas em blogs.

Além disso, ler ou não ler uma resenha paga é opção do visitante do blog. Eu, particularmente, leio quando é algo que me interessa, da mesma forma como leio qualquer outro post em qualquer blog. Se eu vejo que a opinião é inconsistente com o restante do blog e percebo isso como indicativo de falta de ética, páro de ler o blog. Muito simples. E nenhum blogger em sã consciência vai colocar em jogo sua credibilidade para ganhar alguns trocados. Os que fazem isso, naturalmente vão perder leitores e, com eles, o interesse das empresas em pagar por resenhas, já que aquela opinião não carrega mais credibilidade e não há visitantes para ler.

O que eu acho que incomoda as pessoas é partir do equivocado pressuposto que ganhar dinheiro com blog é de alguma forma errado. Neste ponto estou com a Lu Monte que escreve:

Essa mentalidade de que ganhar dinheiro é feio não é de hoje. A colonização portuguesa católica associou o lucro ao pecado, o dinheiro a Mamon, o enriquecimento à alma vendida ao diabo. Veja a diferença de mentalidade na América do Norte. Lá em cima, valoriza-se o self-made man, o cara que subiu na vida por seus próprios méritos, o acúmulo de dinheiro, desde que honesto. Em terras tupiniquins, quem tem sucesso ou dinheiro quase se sente culpado por isso e tem de ouvir o discurso “num país em que tantos passam fome”, yada yada yada.

Vamos amadurecer um pouco e entender que resenhas patrocinadas são uma forma de propaganda como outra qualquer. Na verdade, quando feita de forma ética, eu vejo como uma evolução dos modelos de propaganda tradicionais na medida em que uma opinião verdadeira não é manipulativa, postada nos blogs corretos atinge uma audiência qualificada e já pré-disposta a ler sobre coisas relacionadas àquele nicho específico e a qualidade e a credibilidade da opinião são maiores. É uma relação “ganha-ganha-ganha”: a empresa divulga seus produtos/serviços ou recebe feedback, o blogger recebe para dar sua opinião e o leitor recebe uma opinião que pode ajudá-lo em uma decisão de compra ou a formar sua própria opinião.

Outra questão que muitas pessoas precisam amadurecer é a idéia de há algum problema em fazer dinheiro com blogs. Não há absolutamente nada de errado em monetizar um conteúdo que você trabalha para oferecer (e paga para manter). Até porque algumas pessoas vivem disso. Assim como um autor de livros vive da venda de seus livros, com a única diferença que as pessoas pagam diretamente por eles, enquanto nos blogs quem paga a conta é o anunciante. Mas, essencialmente, é a mesma coisa: troca de valor em forma de conteúdo/informação/opinião/expertise por valor monetário. Só muda mesmo quem paga a conta. Isso sem falar que o blogger é uma pessoa que tem total liberdade editorial.

Para arrematar: criticar o modelo em si é falta de conhecimento. Critique o blogger que faz resenhas patrocinadas sem ética, da mesma forma que você talvez criticasse qualquer pessoa que ganha dinheiro de forma disonesta, mas não há nada de errado com o modelo em si. Ele representa uma evolução, na minha opinião, em uma época em que consumidores já estão pelas tampas com o discurso vendedor manipulativo praticado há décadas. E se você for fazer um post patrocinado, seja ético. Avise o leitor, dê uma opinião sincera, escreva sobre o que entende e não tente ficar em cima do muro porque está sendo pago. Seja verdadeiro. Você não está sendo pago para elogiar necessariamente ou para ficar em cima do muro. Você está sendo pago pela sua opinião e neste modelo de resenhas pagas, o anunciante sabe disso (basta olhar os termos de sites como o ReviewMe). Qualquer coisa diferente disso, melhor você monetizar seu blog de outra forma, ou sua credibilidade vai por água abaixo.

P.S.: Aviso ao leitor: Este post foi patrocinado por mim mesma, eu paguei para postar minha própria opinião com um potinho de iogurte e vários minutos de conexão banda larga. ;-) – e um refrigerante, mas não vou dizer a marca, senão vai ter gente achando que é jabá.

[2] Comentários 

Como de costume, passei a madrugada de ontem para hoje em claro. Fui dormir por volta das 5:30 da manhã. 9hs da manhã alguém toca a campainha. Saio na janela capengando de sono e lá está uma mulher:

- Ah, desculpa, te acordei?

(pensei comigo: “Não, a casa está toda fechada e eu estou com esta cara de sono porque eu não gosto de luz do dia e tenho esta cara mesmo… Mas ao invés disso, disse:)

- Sim, me acordou. Pois não…

- Eu sou (fulana) e nós estamos passando nas casas para incentivar as pessoas a ler a bíblia.

(respira fundo e conta até um bilhão…)

Do fundo do meu coração, com todo o repeito que eu tenho pela liberdade de crença, putaqueopariu!!! (acho que é a primeira vez que uso um palavrão no blog, só pra dar uma idéia…) Não é a primeira vez que acontece. Nem a segunda. Nem a décima. Acontece numa média de duas vezes por mês no mínimo, sempre aos finais-de-semana. Desta vez ainda foi mais tarde, mas já teve gente batendo na minha porta às 7hs da manhã de um domingo para “falar sobre a bíblia”.

Sinceramente, o que passa pela cabeça destas pessoas? Não, sério, me ajudem a entender, porque eu já estou tão pelas tampas com isso que não sei nem mais o que fazer. As pessoas têm o direito de ter suas próprias crenças, mas eu acho EXTREMAMENTE invasivo alguém tocar a campainha da sua casa, seja que dia ou horário for, para tentar impor estas crenças, para tentar te converter. Isso quando não ficam ofendidos ou te olham torto quando você diz que não tem interesse no que eles querem dizer ou quando não resolvem questionar suas crenças, como se não seguir uma religião específica fosse sinônimo de falta de caráter ou algo do gênero.

Este tipo de coisa deveria ser proibida. Deveria haver uma forma de evitar este tipo de assédio de dentro da nossa própria casa!! Eu honestamente não sei o que fazer para evitar isso, até porque dificilmente é a mesma pessoa que aparece. Eu não quero ser agressiva ou indelicada com ninguém, infelizmente estas pessoas lá no fundo acreditam que estão tentando fazer um favor, te ajudar de alguma forma, mas me pergunto se manter a gentileza não torna a coisa pior. Minha vontade é responder: “Você só pode estar brincando comigo, ter a cara de pau de tocar a campainha da minha casa num sábado de manhã, me acordar para dizer que quer me incentivar a ler a bíblia?? Você só pode estar brincando comigo!”

Fico pensando, de verdade, o que passa na cabeça destas pessoas. Eu jamais teria a cara de pau de sair aleatoriamente tocando a campainha das casas de estranhos para “falar sobre as minhas crenças”. Tem que ter uma cara de pau fenomenal pra fazer um negócio destes. E uma falta de noção e de respeito ainda maior. Já pensei seriamente em colocar um aviso bem ao lado da minha campainha dizendo “Se quiser falar sobre a bíblia, vá para a casa do lado e me deixe em paz”. Campainha devia vir programada com anti-spam. No dia que o Google lançar a “GBell” eu serei a primeira beta-tester. Ou então, as campainhas poderiam ter um sistema de atendimento automático: “Se você quer falar sobre a bíblia, vender balas ou rodinho de porta, tecle um”. Teclado “um”, a mensagem seria “Os residentes desta casa estão todos ocupados no momento. Por favor aguarde.” – e deixaria a pessoa “na espera” indefinidamente ouvindo a musiquinha mais irritante possível. Aliás, conheço várias empresas brasileiras que poderiam prestar este “serviço” de chamada em espera e contrataria o carro de som da “Rede Padovan de calçados”, que também me acorda com o som mais irritante do planeta, pra gravar a “mensagem” de espera. Se funciona para tantas empresas, acho que funcionaria maravilhosamente aqui em casa.

Será que assim este pessoal pararia de me encher o saco?? Tenham suas próprias crenças, eu respeito, mas me deixem em paz!!! Me deixem ao menos dormir! Será que é pedir muito? Se um dia eu quiser ler a bíblia, ou falar com alguém sobre a bíblia, eu mesma vou pessoalmente e por livre e espontânea vontade a uma igreja, combinado?

(edit): será que alguém me sugere uma boa resposta pra dar ao próximo aparecer por aqui?

[20] Comentários 

Interessante… Quando alguém me pergunta “o que eu faço”, sempre tenho dificuldades em responder. Por que? Porque eu faço muitas coisas. Porque diversidade é essencial para mim. Porque o tipo de diversidade que eu busco – e vivencio – profissionalmente não cabe dentro de um cargo (ou de um emprego, a propósito – o que é um dos motivos, aliás, pelos quais eu não tenho um). Pra mim, não existe resposta simples para esta pergunta.

Pra começo de conversa, muito embora este tipo de pergunta seja comum, especialmente quando se conhece alguém novo (é um tópico iniciador de conversas), na nossa sociedade as pessoas se definem muito (e definem os outros também) pelo seu emprego ou atividade profissional. “Sou engenheiro/advogada/arquiteto/consultor/professora/empresário” etc, etc, etc… Se por um lado isso tem um propósito, até certo ponto compreensível, acho que extrapolamos o propósito e damos valor demais a estes rótulos, como se fossem a coisa mais importante sobre uma pessoa.

Outro dia alguém me deixou um scrap no Orkut e eu fui olhar o perfil da pessoa. Lá tinha uma frase que dizia:

“Poderia dizer aqui tudo o que eu já fiz e deixei de fazer profissionalmente, mas aprendi a não mais atrelar meu ego ao meu trabalho. Eu não sou o que eu faço, eu sou o que eu sou.”

Isso sintetiza tão bem o que eu penso sobre este assunto que até deixei um comentário. As pessoas são muito mais – e muito mais interessantes – do que o cargo que ocupam, do que o rótulo que vem com o cargo. Até porque, a vida profissional é apenas uma face de cada indivíduo.

Eu e o Marcelo costumávamos conversar sobre isso às vezes; você liga em qualquer lugar e a conversa costuma seguir este padrão:

- Boa tarde, gostaria de falar com “fulano” por favor.
- Pois não, quem está falando?
- Patricia.
- Patricia de onde? (esprando que você se identifique através de um cargo e uma empresa.)

De novo, existe um motivo perfeitamente razoável para isso, identificar propriamente a pessoa antes de passar a ligação. No entanto, o que acaba ficano implícito é que você TEM que ser de algum lugar, de alguma empresa. Não existe o indivíduo, existe o indivíduo vinculado a uma empresa e a um cargo. Experimente dizer “de lugar nenhum, sou só a Patricia”. A pessoa do outro lado fica completamente perdida. Acreditem, eu já tentei. A reação é sempre algo como: “………. Mas… de onde exatamente?”

Eu e o Marcelo costumávamos brincar, criando respostas criativas e engraçadas para a pergunta. Mas no fundo, eu não vejo graça nenhuma nisso. Acho absurdo que tenhamos chegado a um ponto em que o rótulo é mais valorizado que o indivíduo. E não me digam que não é – experimentem se apresentar como “a assistente da Diretora bam-bam-bam”, depois ligue de novo e se apresente como “a diretora bam-bam-bam em pessoa”. Até o tratamento será diferente.

Não quero dizer com isso que estes rótulos não tenham seu valor. Se uma pessoa ocupa determinado cargo, em geral (em geral!) isso é representativo de um nível de conhecimento e experiência correspondentes (nem sempre isso é verdade, mas vamos considerar que seja) e, evidentemente, isso tem valor. O problema é que não é nisso que colocamos o foco, não pensamos que a pessoa tem determinado cargo porque percorreu um caminho de crescimento. Ao invés disso, a percepção é de que a pessoa é importante/ganha bem/etc. Esta pessoa é “respeitada” pelas cifras no contra-cheque, quando deveria ser respeitada pelo valor de seu conhecimento e experiência. É uma diferença sutil de ser percebida, mas representa uma diferença enorme na prática. É um reflexo de valores sociais – e são exatamente estes valores que estou questionando.

Mas voltando à pergunta “O que você faz?”, até a época em que eu trabalhava em agências, era fácil de responder: “Sou gerente de projetos numa agência de internet” – ou algo do tipo que correspondesse ao meu cargo na época. Mas depois que eu optei por sair do mundo corporativo e passei a fazer um monte de coisas diferentes, responder esta pergunta se tornou um problema. A resposta mais simples possível é “trabalho com internet”. Pra quem não entende nada de internet, esta resposta costuma ser suficiente (porém, um tanto quanto vaga, deixando um ar de interrogação na cara da pessoa) e para aqueles que entendem do “babado”, se querem entrar em detalhes, aí eu entro. Ainda assim a pessoa fica meio perdida, porque eu faço muitas coisas diferentes.

Exemplos práticos desta situação:

  1. Nas vezes em que dei alguma entrevista. Já aconteceu mais de uma vez. Na matéria o jornalista tem que identificar a pessoa entrevistada, então naturalmente faz esta pergunta. Eu já saí na mídia identificada como várias coisas difrentes. Se daqui a cem anos algum doido sem ter nada melhor pra fazer resolver pesquisar para saber quem eu era e o que fazia, baseando-se nas coisas que foram publicadas sobre mim, este coitado vai ficar bem confuso! rs
  2. Outro dia fui atualizar meu perfil no LinkedIn, onde TODO MUNDO tem um rótulo (ahem), digo, cargo. Pensei comigo “Que diabos, o que é que eu vou escrever aqui?” Finalmente, escrevi assim (em inglês): “Eu não quero um rótulo. E não preciso de um. Mas se você precisa, dê uma olhada na minha experiência e escolha o que quiser.”

E é bem isso. Tem gente que precisa destes rótulos, para si próprio e para os outros. Eu não quero e nem preciso de um rótulo para definir quem eu sou. E estou muito bem assim, obrigada. Tirando a dificuldade de responder algumas perguntas, isso não muda em nada minha vida. Ah sim, e para tirar visto para os Estados Unidos isso também, aparentemente, atrapalha um pouco. (hehe) Tudo perfeitamente contornável.

E tem mais, eu acho que se definir através de um rótulo é altamente restritivo. Como já dizia Lao Tse, “When I let go of what I am, I become what I might be.” (“Quando eu me desprendo de quem eu sou, eu me transformo em quem eu posso ser.”). (Aliás, precisamos de um rótulo para identificar Lao Tse? Acho que não, né?) É este tipo de liberdade que eu quero para a minha vida: ser o que eu quiser, no momento em que eu quiser, com direito a mudar de idéia, de evoluir, de crescer, de tentar coisas novas quando as antigas não me fazem mais sentido.

No entanto, pela primeira vez eu encontrei um rótulo capaz de me definir. Eu não preciso dele, mas seria um bom título para colocar no meu perfil do LinkedIn. :-) Explico: outro dia achei um post em um blog (tive que remover o link porque o domínio que era antes um blog hospeda agora um site “pouco familiar” – rs) falando sobre mim e comentando sobre este post que escrevi. Gino Netto escreve:

“Em 1995 eu tinha exatos 22 anos e nem me imaginava trabalhando com informática. Talvez fosse melhor nunca ter imaginado… Mas desde essa época a Patrícia Muller já navegava pela Internet. Essa mulher é uma multifuncional. (…)”

Gino, se você passar por aqui, meus agradecimentos. Você foi a primeira pessoa no mundo capaz de me definir profissionalmente em uma palavra! Coisa que nem eu mesma consegui! Ah, sim, e gostei também do post falando sobre os termos de buscas que levaram pessoas ao seu blog. ;-)

Perfeito! A partir de hoje, para todos os que precisam de um rótulo, eu sou a “Mulher Multifuncional”. :-) Para os demais, eu sou a Patricia, Patty para os íntimos.

E vamos em frente, porque como “Mulher Multifuncional” eu tenho um tanto de coisas a fazer. ;-)

Boa semana para todos!

[12] Comentários 

Já há algum tempo, eu venho lendo alguns artigos e ouvindo alugns podcasts de um blog que não vou mencionar agora, porque vou indicá-lo amanhã no meu post do BlogDay. Mas este blog fala de desenvolvimento e crescimento pessoal. Não, não aquelas baboseiras de auto-ajuda. O autor do blog oferece perspecivas pouco convencionais, cheias de insights, de um ponto de vista que por enquato vou chamar de filosófico – por falta de uma palavra melhor. É um prato cheio pra mim, que normalmente já gosto deste tipo de coisa (abordagens filosóficas), mas ultimamente estes textos e podcsts estão muito em sinergia com o momento que estou vivendo e me ajudando a fazer questionamentos importantes.

Eu já ensaiei mil vezes pra começar um post falando não só sobre este blog, mas sobre os assuntos que ele aborda. E hoje, lendo um dos artigos, fiquei pensando em algo e resolvi escrever este post.

Vou começar com uma pergunta: você é o tipo de pessoa que vai atrás dos seus sonhos? Antes de responder esta pergunta, pense em outra: quais exatamente são seus sonhos e até que ponto eles são autênticos ou condicionados pela nossa sociedade e pela nossa cultura? Vou dar um exemplo: se você sonha em casar e ter filhos, já parou pra pensar se isso é algo que você realmente quer ou se você foi tão condicionado(a) desde pequeno(a) a pensar que este é o desenvolvimento “natural” da vida, que inconscientemente você acabou abraçando este “sonho” como sendo seu, quando, na verdade, pode até ser que, sem este condicionamento, você jamais pensaria nesta possibilidade? Ou então, será que você não está tão imerso nas expectativas sociais que sequer considerar a possibilidade de não se casar e ter filhos lhe parece fora demais de contexto para que você tenha a coragem de optar por uma vida menos convencional?

Nós, seres sociais, em geral olhamos com uma certa desconfiança para aqueles que optam (não se acomodam, OPTAM) por estilos de vida diferentes da maioria e tendemos a “achar” que há algo de errado com estas pessoas. Se alguém não se casa ou não quer casar, é porque tem medo ou dificuldades em relacionamentos, por exemplo. Enquanto isso pode ser verdade em alguns casos, nunca paramos para pensar que isso pode ser uma escolha consciente e baseada em coisas que nada têm a ver com medos ou inabilidades pessoais. E provavelmente tendemos a pensar desta forma, porque isso nos dá uma falsa sensação de conforto de que os certos somos nós, vivendo nossas opções conformistas e condicionadas.

Ainda este fim-de-semana estava conversando com uma prima que tem 29 anos. Ela namora, mas mora sozinha, é independente, tem a vida dela. E me disse: “Patty, eu não quero casar ou ter filhos, pelo menos não por enquanto. Pode ser que isso mude um dia, mas por enquanto estou bem e feliz como estou. Não quero dividir meu espaço com outra pessoa, não quero abrir mão da minha independência e não quero limitar minhas possibilidades e meus sonhos tendo filhos agora.” Tem muita gente que olha torto para esta opção dela. A família pressiona, cobra dela uma postura diferente. As expectativas sociais são totalmente discrepantes dos sonhos e opções de vida dela. No outro extremo, eu tenho amigas que se casaram e tiveram filhos e são muito felizes assim. Algumas delas, eu acho que realmente estão felizes. Por pura sorte, os sonhos delas (condicionados, questionados ou não) coincidiram com as expectativas sociais. Outras, eu tenho a impressão de estarem se convencendo de que estão felizes por estarem fazendo o que “deveriam” fazer. Mas lá no fundo, estão gritando. Ou estão em completa negação.

Eu acho que não tem nada de errado com as pessoas que optam por vidas não convencionais (não que tenha algo de errado com as pessoas que vivem vidas mais convencionais, desde que estejam realmente felizes fazendo isso). Aliás, acho que estas pessoas estão mais conscientes sobre suas próprias vidas do que a maioria de nós (sim, estou me incluindo) que sofreu uma lavagem cerebral massificada e nem percebe que seus sonhos são produto direto de condicionamentos sociais. E o mais absurdo disso tudo é que nós mesmos alimentamos o próprio sistema, toda vez que julgamos alguém por fazer opções diferentes das nossas ou das esperadas.

Eu passei por uma experiência enriquecedora que me mostrou isso claramente. Vai, com certeza, passar por aqui o Marcelo, que passou por esta experiência comigo e não me deixa mentir:

Vou contextualizar primeiro: Eu nasci e morei em São Paulo até meus 30 anos. Fiz faculdade, fiz um MBA, trabalhei em agências (sim, na época este era realmente meu sonho). Depois de um certo ponto, já casada há alguns anos, eu notei que aquilo não fazia mais sentido pra mim. O estilo de vida que eu levava, muito embora estivesse até certo ponto de acordo com as expectativas que eu tinha criado pra mim mesma e condizente com as expectativs sociais, simplesmente não fazia mais sentido. Eu ia trabalhar me sentindo desmotivada, estava cansada o tempo todo (esgotada seria mais apropriado), minha vida social e familiar estava reduzida a zero, minha saúde estava reclamando, a falta de sensação de segurança estava me incomodando profundamente – e passar por tudo isso, já não estava mais valendo a pena. Então, como casal na época, eu e o Marcelo colocamos tudo isso na balança e tomamos a difícil decisão de largar tudo e sair de São Paulo – não só sair de São Paulo, mas ir para uma cidade de 70 mil habitantes no interior de SP. Sim, foi uma decisão difícil. Largar pra trás tudo o que você construiu profissional e socialmente (estou falando das amizades relevantes que a gente faz) é algo que demanda uma certa coragem. Mas, nós fizemos.

E agora é que vem a parte enriquecedora da história: nós avisamos as pessoas (amigos, conhecidos, colegas de trabalho, etc…) que estávamos nos mudando. A reação das pessoas foi diversa, mas a maioria demonstrou estranhamento, choque e coisas similares: “Nossa, sério?? Vocês têm certeza que querem mesmo fazer isso? Não é uma decisão meio drástica?” Este tipo de reação, por si só, já ilustra um pouco o que eu estava falando sobre expectativas sociais. Mas o mais incrível ainda estava por vir: esta mudança de vida nos mostrou claramente quem eram as pessoas realmente amigas e as que não eram. Algumas pessoas com quem tínhamos um contato social relativamente próximo simplesmente DESAPARECERAM do nosso contato, da nossa vida. E numa velocidade assustadora. Por que? Porque simplesmente deixamos de fazer parte do contexto de vida “aceitável” na visão delas. Teoricamente deixamos de pertencer ao grupo de “contatos profissionais importantes” e outras coisas do gênero que nem vou me dar ao trabalho de citar. Mas o fato é que, para nós, isso serviu para separar o joio do trigo e nos mostrou o quanto as opções não convencionais causam estranhamento nos cérebros condicionados de forma massificada. Os amigos que eram realmente amigos, mantiveram contato, vieram nos visitar, etc. Os que não eram, sumiram. E reapareceram em momentos que lhes foram oportunos ou quando perceberam que, mesmo estando em outra cidade, não tínhamos exatamente deixado de ser “contatos profissionais” que lhes poderiam ser úteis – ou seja, quando a nossa opção menos convencional se contextualizou novamente para eles. Acordaram um dia, lavaram o rosto com óleo de peroba e resolveram resgatar os vínculos. Too late… (Um parênteses aqui, embora não tenha a ver com o foco do post, mas só pra esclarecer: não é que eu ache que contatos profissionais não sejam importantes. São e todos nós temos. O que é feio é posar de amigo e depois tratar exclusivamente como contato profissional. As relações precisam ser claras.)

Mas enfim, voltando ao foco… Eu acho que este questionamento sobre sonhos é fundamental – ou ao menos deveria ser para a maioria das pessoas, ou ao menos para aquelas que não querem viver a vida em negação ou em estado de alienação. Não é o único que considero importante, mas é o objeto deste post. Se preferir, ao invés de olhar pra isso como “sonhos”, pense em “o que é realmente importante pra você – o que, ao final da sua vida, te traria a sensação de paz, de satisfação, uma vida realizada?”. Eu ando fazendo este questionamento. Não é à toa que a minha lista de 101 Coisas não está completa. Tento separar a parte de mim que quer coisas (que não são exatamente “coisas”) porque estou condicionada a querer ou achar que quero, que quer coisas porque as opiniões de pessoas supostamente felizes indicam caminhos teoricamente também com maior potencial de felicidade, da parte de mim que tem sonhos autênticos. Qualquer pessoa que já tenha passado por este nível de questionamento vai concordar comigo que esta não é uma tarefa fácil. Porque o próprio pensamento, o próprio raciocínio está também condicionado.

Mas uma coisa é certa: eu não quero viver minha vida deixando que a sociedade faça decisões por mim. A vida é muito curta para gastarmos nos enganando, permanecendo deliberadamente cegos com relação à nossa realidade, sem sequer jamais nos questionarmos sobre o que REALMENTE, lá no fundo, nos faz ou nos faria felizes. Eu já vivi boa parte da minha vida fazendo opções convencionais. Já me sinto suficientemente satisfeita – e insatisfeita – por trilhar os caminhos mais percorridos. E já fiz também opções menos convencionais e conheço as conseqüências. E hoje, penso que não há nada pior do que viver alienado, conformado com uma vida que lá no fundo não te faz feliz, mas você não tem coragem para mudar – seja porque você já investiu muito tempo nesta opção, ou porque tem medo das conseqüências, ou porque a sociedade vai te olhar torto se você fizer uma opção diferente. Se você olhar pra dentro de si mesmo, sendo verdadeiramente honesto e enxergar que suas opções de vida e sua situação atual estão em conformidade com seus sonhos REAIS (não condicionados), mesmo que eles por sorte coincidam com expectativas alheias, excelente. Parabéns, você é realmente feliz. No entanto, se você encontrar dissincronicidades, reavalie seus sonhos. Penso que ninguém deveria viver conformado em aceitar sonhos e expectativas alheias. Viva os seus!

Muito embora eu ainda esteja passando por este processo de auto-conhecimento (não é a primeira vez, diga-se de passagem) e, mais importante, de auto-conscientização, eu já tomei algumas decisões recentemente que muitas pessoas não compreendem. Estou prestes a tomar outras que talvez sejam ainda menos compreendidas. E também tomei “quase-decisões” no início do primeiro semestre que me abriram os olhos para toda esta questão. E, por incrível que pareça, eu posso dizer que, no meu caso especificamente, duas coisas estão se tornando claras:

1. Quanto menos convencionais meus sonhos, quanto mais as pessoas se espantam ou me questionam, mais isso se torna um indicativo de que eu estou no caminho certo.

2. Quanto mais eu percebo que estou no caminho certo, maior é a sensação de liberdade e controle que sinto sobre minha própria vida.

E no fim, é só isso que importa. O mundo todo pode discordar das suas opções, mas se você estiver em paz com elas e elas não estiverem prejudicando ninguém deliberadamente, todo o resto é irrelevante. Por outro lado, se você não estiver feliz com as suas opções mas continuar convivendo com elas porque o resto do mundo acha que é assim que as coisas têm que ser, ou porque você está por demais acomodado ou tem medo da mudança, no fim a frustração vai continuar sendo sempre e exclusivamente sua. E se você acha que está feliz, mas nunca fez nenhum tipo de questionamento, então corre o risco de estar vivendo de forma alienada e um belo dia acordar e ver que desperdiçou anos acomodado em uma situação dissincronizada dos seus verdadeiros sonhos e valores. Então, a idéia aqui é: questione e tenha coragem para mudar, se for o caso.

Uma pessoa muito querida, conversando comigo certa ocasião, me deu uma opinião (ou melhor, um conselho) quando eu disse estar em dúvida sobre uma decisão que tinha que tomar, que acho que ilustra um pouco o que falei. Esta pessoa me disse: “Siga o caminho menos trilhado”. Na hora, me pareceu uma resposta inusitada. E depois ficou na minha cabeça. Me relembrou a importância de questionarmos os caminhos seguros que em geral tendemos a escolher.

Vou terminar com uma citação que li em um dos posts do blog que mencionei no inicio:

Whatever you do, you need courage. Whatever course you decide upon, there is always someone to tell you that you are wrong. There are always difficulties arising that tempt you to believe your critics are right. To map out a course of action and follow it to an end requires some of the same courage that a soldier needs. Peace has its victories, but it takes brave men and women to win them.
- Ralph Waldo Emerson

Tradução:
O que quer que você faça, você precisa de coragem. Qualquer curso que você decida seguir, sempre há alguém para lhe dizer que você está errado. Sempre há dificuldades surgindo que lhe tentam a acreditar que seus críticos estão certos. Mapear um curso de ação e seguí-lo até o fim requer um pouco da mesma coragem que um soldado precisa. Paz tem suas vitórias, mas são precisos homens e mulheres corajosos para conquistá-las.

Eu sei que tenho vários leitores que partilham da minha “mania de filosofar”, então, filósofos de plantão, deixem suas opiniões, por favor. E pra você que leu este post na íntegra (ufa!), “filósofo” ou não, me diga: você já fez este tipo de questionamento?

[20] Comentários 

Desde o início da Copa eu não falei uma vez sequer neste assunto aqui no blog. Por opção. Só tenho mesmo uma coisa a dizer:

A França mereceu ganhar este jogo de hoje. Nossa seleção não jogou o suficiente para vencer. Nem este jogo, nem a copa. Voltamos pra casa nas quartas de final e sou obrigada a dizer que o resultado foi justo. Estou triste como, acredito, todo mundo está. Triste, decepcionada, mas aceitando o resultado como justo. Alguém contesta?

[10] Comentários 

Eu tenho uma relação de amor e ódio com o Canal Sony. Não é novidade pra ninguém, né? Já falei sobre isso aqui no blog. Eu assisto pouca TV, mas quando assisto, 90% das vezes são as séries do Sony. Além delas assisto Lost, no AXN, alguns daqueles documentários policiais/forenses que passam no Discovery Channel e alguns reality shows como “O que me irrita em você”, do Discovery Health, o “Minha Casa, Sua Casa” e o “Miami Ink”, ambos do People and Arts. Coisas deste tipo. Nada muito cultural, eu sei, mas… em geral se vou assistir TV é porque estou precisando mesmo dar um relax.

Mas voltando ao Canal Sony: tem coisas que eles fazem que eu simplesmente não entendo. Eu achei por um tempo que era porque eu não sou da faixa etária principal do público-alvo. Depois comecei a ler tópicos na comunidade do canal no Orkut e comecei a ver que este não era o caso. Que eu não era a única a achar algumas coisas estranhas.

Agora, recentemente, eles começaram a passar uma propaganda anunciando duas séries que entraram no ar para preencher o horário que nos últimos meses foi do American Idol. As séries são Tommy Lee Goes to College (!!) e Emily’s Reason’s Why Not. Ambas canceladas nos Estados Unidos – e eles próprios falam isso. Agora me expliquem: como é que um canal coloca séries teoricamente fracassadas pra tapar buraco na programação e anunciam isso como se fosse uma coisa legal? Ora bolas, se as séries foram canceladas, é porque não fizeram sucesso. Se não fizeram sucesso, provavelmente nao são boas. Por que diabos então eu iria querer assistir estas séries? Isso faz algum sentido pra alguém?

Pra mim não faz nenhum sentido, sem falar que a propaganda é chata, a música é chata e isso fica passando nos intervalos com uma freqüência irritante. Aliás, este é um dos problemas, não só do Sony, mas também de outros canais de TV por assinatura, coisa muito, muito irritante.

Não vou assistir nenhuma destas duas séries novas. Emily’s Reasons Why Not foi cancelada no sexto episódio! Sexto!! Por que eu iria gastar tempo assistindo uma série que eu sei com antecedência que vai durar 6 episódios, quando era para durar ao menos 22?

Não adianta, eu não me acerto com as estratégias de marketing deles. Há raras exceções, como é o caso da campanha de comemoração de 10 anos do canal que está sendo veiculda agora, entrevistando crianças de 10 anos de idade – algumas são espirituosas. Mas no geral, o que eles chamam de “atitude” eu chamo de “um monte de coisa estranha” – e no caso destas séries novas, falta de coisa melhor pra passar…

[14] Comentários 

Next Page »