Sinestesia

Por Patricia Muller.

Um novo capítulo: bebê a bordo

Primeiro post do ano (em Março!) – mas este é um enorme marco aqui no blog e na minha vida.

Muitas vezes ao longo dos anos me perguntei se algum dia sentaria na frente do computador para publicar o que escrevo agora neste post. Além da minha indecisão com relação ao assunto em idades diferentes, minha vida também deu suas diversas voltas, me fazendo questionar circunstâncias e se, sequer, este dia chegaria.

Mas ele chegou. Chegou como uma surpresa no dia 23 de Setembro de 2012:

Eestou grávida!! :)

Exame positivo em 23/Set/2012.

Enquanto acompanhava a gravidez anunciada de outras mamães amigas, conhecidas e blogueiras e navegava pelo primeiro trimestre com os enjôos e a fadiga comuns a este período, optei por (ansiosamente) manter a minha em segredo até sabermos o sexo do bebê. Para poder vir aqui e anunciar que serei mamãe de um menino, com nascimento previsto para o início de Junho deste ano.

Na verdade, demorei mais do que gostaria para vir publicar a novidade. Tinha planejado anunciar publicamente a gravidez em Janeiro, mas acabei não conseguindo. A descoberta do sexo do bebê aconteceu no final de Dezembro. Fomos para o Brasil para o batizado da minha afilhada (e sobrinha) e para as festas de fim de ano e fizemos um ultrassom entre o Natal e Ano Novo. Não somente para descobrir o sexo, mas também porque era a única oportunidade de ter a família presente durante um ultrassom para ver o bebê.

Depois de voltarmos para os EUA, o tempo parece ter voado, entre consultas médicas, preparativos para a chegada do baby (compras de roupinhas, carrinho, início da pintura quarto, etc) e, com isso, o anúncio aqui no blog (e no Facebook) foi ficando de lado. E agora, estou já com 27 semanas, o que significa que já viramos a curva da metade da gravidez e estou no finzinho do segundo trimestre. É, eu sei… demorei um pouco demais pra vir aqui contar a novidade, mas fazer o que? Outras prioridades tiveram precedência. ;)

Minha gravidez vem correndo muito bem, tudo dentro da normalidade. Sim, eu tive muito enjôo nos primeiros 3 meses, um enjôo constante que parecia que nunca ia passar. E fadiga intensa, vontade de ficar deitada o tempo todo. A combinação destas duas coisas me fez passar vários dias deitada assistindo TV (e, quem me conhece, sabe que raramente faço isso!). Felizmente, pude contar com a presença, carinho e cuidado da minha mãe, que veio passar um mês comigo neste período.

E tive, também bem no início, um pouco de sangramento – que no auge do meu “extremo conhecimento e expertise” sobre o que é ou não normal durante a gravidez, me levou assustadíssima ao pronto-socorro, apenas para descobrir que sangramentos leves podem ocorrer sem que signifiquem que algo está errado. De fato, estava tudo perfeitamente normal e os sangramentos eventuais cessaram antes do fim do primeiro trimestre.

Fiz (e continuo fazendo) todos os exames disponíveis, com acompanhamento do ginecologista e, adicionalmente, de um especialista, que faz os exames mais espeificos, como o ultrassom morfologico e afins. Mamãe e bebê estão saudáveis. E eu estou fascinada com a experiência da gravidez e a expectativa de ser mãe.

Agora que estamos mais perto da reta final, agendei para Março os cursos que achei importante fazer (amamentação, parto e afins). Ontem tivemos a primeira aula de “Newborn Parenting”, onde nos explicaram sobre os procedimentos no hospital, o que esperar dos primeiros dias e semanas e nos deram algumas dicas práticas de cuidados com o bebê.

Estamos também no estágio de montar o quartinho dele.  A pintura está pronta, o próximo passo é a compra do berço, trocador, etc. Já temos várias roupinhas, carrinho e balancinho (presentes da vovó materna), alguns brinquedos – mas ainda falta coisa! Estamos lentamente montando o estoque de fraldas, algo que sempre disse que faria se tivesse um filho.

E aos curiosos com relação ao nome: ainda não batemos o martelo, mas está praticamente definido. Publico quando tivermos certeza absoluta, ok? E, daqui para frente, vou publicando sempre que possível aqui no blog os updates sobre a gravidez. Enquanto isso, termino este post apresentando meu pequeno, com uma foto do último ultrassom (feito em 21 de Janeiro). :)

E se você lê o blog e está grávida, não deixe de dar um alô nos comentários para trocarmos figurinhas. :)

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Cavalheirismo moderno – Artigo para a Revista 4 Patas

A nova edição da Revista 4 Patas está saindo do forno, com previsão de início de circulação a partir de 27 de Agosto. Ela é parte da série de edições temáticas, que estão abordando conteúdo das décadas de 50, 60, 70, 80, 90 – e termina no ano 2000. Esta é a da década de 60 e o nosso artigo fala sobre cavalheirismo, que começou a decair nesta época. E como é uma coluna sobre comportamento (e opinião), abordamos nossa visão sobre o cavalheirismo moderno. Resolvi republicar aqui para compartilhar com vocês.

É um artigo de 2 páginas, que você pode ler na íntegra, abaixo ou neste link. Está nas páginas 44 e 45 (que devem abrir automaticamente na sua tela clicando no botão “Expand” abaixo. Para aproximar e ficar mais fácil de ler, depois de aberto é só clicar sobre a página em questão):

Open publication – Free publishingMore 60

Adorei escrever este artigo para a revista! É um tema relativamente polêmico, pois quem tem opinião formada sobre o assuntoo tende a gravitar por extremos. E há também as diferentes percepções entre gerações.

Para a próxima edição, vamos ter uma série com um especial em 3 partes (separadas por edição) sobre o assunto “Morando Sozinho(a)”. É nisso que começo a trabalhar agora.

Este trabalho com a revista é do jeito que eu gosto: liberdade editorial e diversidade. Cada artigo ou matéria é um assunto diferente, não há espaço para tédio. E a filosofia da revista é a mesma que usamos no 1001 Dicas Práticas: conteúdo realmente diferenciado. Nunca chover no molhado.

Mesmo com as matérias sobre animais, o Fernando Gomes (editor da revista) está fazendo um trabalho fantástico, escolhendo pautas super interessantes e criando uma pubicação, como o próprio slogan diz, “simplesmente diferente”. Acho que vai agradar muitos de vocês que gostam de animais.

Aos que lerem o artigo sobre cavalheirismo, me digam o que acharam, nos comentários.

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Percepção temporal

Visualize esta cena da vida real:

Certo dia, logo quando me mudei aqui para os EUA, combinamos (eu e o marido) pela manhã de sair para jantar e ir a um barzinho à noite. Era a primeira vez, mas ele já estava familiarizado com o tempo que eu levo para me arrumar – que é longo! (É, eu sei… péssimo, mas verdadeiro).

Meu cérebro brasileiro pensa: vou entrar no banho lá pelas 6hs para ter tempo de secar o cabelo e me arrumar com calma, devemos sair por volta das 7:30. Chegamos no restaurante por volta das 8:20 (era longe), jantamos e vamos para o barzinho lá pelas 10hs, 10:30. Certo? Perfeitamente planejado e coerente.

Exceto pelo fato deste raciocínio ser inteiramente baseado na minha percepção brasileira de tempo e dos horários em que as coisas geralmente acontecem. No Brasil.

Bem, nem 4hs da tarde eram ainda quando, sentada no computador escrevendo, começo a notar uma certa impaciência no marido. Ele chega até mim e diz:

- Escuta, não é melhor você começar a se arrumar?

Estou quase certa de que uma expressão impagável tomou conta do meu rosto ao ouvir a pergunta. Levemente ofendida pela suposição de sarcasmo crítico enfiado nas entrelinhas, mas mais confusa do que qualquer outra coisa, respondo já ensaiando um início do tom que ele carinhosamente define como o “south american spice”:

- Sei que demoro para me arrumar, mas você não acha um pouco de exagero me pedir para começar a me arrumar no meio da tarde para sairmos para jantar à noite?

Nesta hora, foi dele a vez de portar uma expressão de total confusão e incompreensão da pergunta.

- Que horas você está achando que nós vamos sair? – ele perguntou.

Depois de explicar meu raciocínio, o restante da conversa revelou a origem do mal entendido:

- Temos que sair no máximo às 5:30, para estarmos lá às 6:30, jantarmos e irmos para o barzinho lá pelas 8hs. Senão, não vamos aproveitar nada. – ele explicou.

Hã??? Say what??

Não demorou muito tempo para eu aprender que aqui nos Estados Unidos TUDO acontece mais cedo. Tudo!

Deixando de lado a percepção militar de horário que meu marido tem (a presença deles é sempre esperada 15 minutos antes de qualquer horário marcado**), o dia do americano começa e termina mais cedo que o nosso e, consequentemente, as refeições também se dão mais cedo. E também se sai mais cedo à noite porque os bares fecham, com muita sorte, à 1h da manhã. Exceções existem, especialmente nos grandes centros, mas há lugares que fecham até mesmo às 11hs da noite.

**(é, podem rir os que me conhecem bem e sabem que pontualidade não está entre as qualidades de que eu possa me orgulhar! E que meu horário de trabalho preferido é a partir das 6 da tarde.)

Tudo isso vem, em parte, da curiosa noção que eles têm sobre o dia como um todo. Para o americano, a tarde termina às 5hs. Nós, brasileiros, temos a percepção de que a tarde vai até às 6. Não é a toa que usamos a expressão “6 da tarde”. Em inglês, é “6 da noite” (6 o’clock at night). “Evening” é a partir das 5. O que significa que às 6 da “noite” já é um horário perfeitamente normal para o jantar deles. Não que todas as famílias aqui jantem neste horário, mas é considerado normal. A família do meu marido janta às 5:30 da tarde!! o.O

Aí você se pergunta: mas comendo assim tão cedo, eles não estão morrendo de fome às 9hs da noite? Também me fiz esta pergunta, acredite. E tamém fui dormir com fome umas duas vezes até aprender a ter sempre alguma coisa comigo para beliscar na casa de pessoas que adotam esta rotina. Mas a resposta é que às vezes sim, eles sentem fome mais tarde e, quando isso acontece, eles comem um lanchinho leve – equivalente ao nosso lanchinho da tarde. Nós fazemos o inverso. Mas lembre-se que eles também vão dormir mais cedo, porque o dia seguinte começa mais cedo.

A situação descrita no início deste post é apenas um exemplo para demonstrar as infinitas possibilidades de mal entendidos que a diferença na percepção temporal pode causar entre diferentes culturas. Essa ficha me caiu ao longo dos meus primeiros meses morando aqui, mas juntar todas as peças associadas a outras suposições que raramente paramos para questionar (e que afetam estas interações de forma similar) foi um aprendizado gradativo que ainda está em andamento.

Muitas destas peças fizeram sentido quando uma amiga me recomendou um livro chamado “When Cultures Collide: Leading Across Cultures(Quando as Culturas Colidem: Liderando Entre Culturas). O livro trata, entre outras coisas, também da questão de percepção temporal. E muito embora o foco dele seja os ambientes profissionais e corporativos, as partes que detalham noções de tempo em cada cultura são aplicáveis a diferentes contextos, inclusive os pessoais. Pode não parecer relevante, mas possuir esta compreensão quando em contato com outras culturas é fundamental para bons relacionamentos em qualquer âmbito.

O bizarro da história é que depois de morar em outro país por alguns anos, você se adapta e passa a adotar um ritmo diferente. Mais por uma questão de hábito, por estar inserida em uma cultura que funciona desta forma, do que por uma mudança do relógio biológico interno propriamente dito.

Só fui capaz de notar esta mudança comportamental quando minha família (brasileira) esteve aqui no mês passado, na ausência do meu marido (que tinha ido cumprir uma missão humanitária). Em outras palavras, eu estava entre brasileiros, sem nenhuma interferência da percepção americana dele. Tão estranho você considerar perfeitamente normal uma rotina em que tudo acontece mais tarde e, no entanto, ao mesmo tempo ficar com a sensação de que tudo está acontecendo mais tarde do que “deveria”. Hábitos são poderosos e uma parte de nós é, mesmo, sempre produto do meio.

Não sei se é assim com todas as pessoas que vão morar em outro país. Talvez seja diferente para famílias exclusivamente brasileiras que moram fora, pois a influência/divergência cultural dentro de casa é inexistente. Mas para um casal de origens culturais diferentes, é preciso haver negociações e acordos. E flexibilidade dos dois lados. Com base nisso, negociamos e ajustamos diversas coisas relacionadas a percepção temporal, como horário de jantar, almoçar, etc. Há momentos em que o jeito brasileiro fala mais alto, outros em que é o americano. Mas de uma forma geral, encontramos um equilíbrio que funciona bem para nós.

Claro, há outros aspectos da vida em um país estrangeiro que só mesmo através da experiência vamos nos dando conta. Para mim, é tudo muito fascinante. Estas descobertas e surpresas são interessantes para quem tem uma personalidade curiosa como a minha.

Se você mora fora do Brasil, deixe nos comentários sua experiência e conte como a percepção de tempo no país em que está afeta sua rotina e como foi sua adaptação a ela. Até a próxima!

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Sou agora também colunista

Tenho uma novidade para contar. Bem, é novidade por aqui porque não falei antes, mas já está rolando há um tempinho.

Sou agora colunista e correspondente internacional da Revista 4 Patas. A revista é uma publicação bimestral com foco em animais e meio ambiente. Mas com um conteúdo bastante diferenciado, contando inclusive com uma coluna sobre Estilo de Vida e Bem Estar (não vinculada a animais), que é a que eu agora assino, junto com a Fabiana.

O primeiro contato ocorreu em Março, quando o editor da revista nos enviou um pedido de autorização para republicação de um artigo do 1001 Dicas Práticas. Logo em seguida veio o convite para assinarmos a coluna e, assim, de lá para cá tenho trabalhado na produção deste conteúdo.

Minha paixão por animais não é segredo para ninguém. Não demorou muito para que as conversas evoluíssem, abrindo-se a possibilidade de escrever também sobre este assunto para a revista. Então, além de colunista, passo também agora a produzir matérias para outras sessões, em contato com veterinários, ONGs e afins aqui nos EUA. Estamos planejando uma matéria sobre a ASPCA, uma das maiores organizações de proteção animal no mundo.

Todo escritor ou escritora que se preze tem o sonho de ver seu trabalho publicado em algum lugar ou formato específico. As possibilidades são diversas e cada pessoa tem suas preferências. Para mim, meus sonhos de escritora sempre foram produção editorial e escrever um livro. Meio caminho andado. :)

Abracei este convite com mais satisfação do que talvez tivesse tido com uma publicação diferente. Tenho meus motivos (sobre os quais ainda não estou pronta para escrever), mas venho realizando este trabalho com um carinho enorme. Com gosto mesmo, sabe como é?

Com gosto e prazer, mas me adaptando ao formato. Revista, obviamente, tem limitação de espaço e, portanto, é preciso dimensionar os textos corretamente e considerar as inserções de imagens. Como a maior parte do conteúdo que venho produzindo nos últimos 15 anos tem sido para mídia online (onde em geral esta limitação não existe), este tem sido o maior desafio.

E a 4 Patas preza por oferecer conteúdo diferenciado – ao contrário do “papo-chove-no-molhado” que muitas revistas enfiam goela abaixo dos leitores. Então o exercício de escolher bons temas e a habilidade e precisão na construção dos artigos são fundamentais. Muito embora devam entrar, em breve, extensões das matérias e artigos no site da revista, o que me dá um pouco mais de liberdade para explorar os assuntos com maior profundidade, quando necessário.

Na imagem ao lado, o editorial na primeira página da edição em que entrou nosso primeiro artigo, nos apresentando aos leitores (clique na imagem para ampliar).

E as novidades não param por aí. Também resultado do que temos produzido no 1001 Dicas, veio o convite da Rádio Phoenix para escrevermos uma coluna semanal para o site e para a produção e apresentação de um programa de rádio sobre dicas práticas, com base no conteúdo do blog. Os artigos já estão entrando no site (veja aqui a página com nosso perfil e links para os artigos) e têm um tom e uma temática completamente diferente do meu estilo costumeiro. É também uma adaptação para mim, mas muito divertido! O programa de rádio ainda leva um tempinho para sair. Mas atualizo vocês por aqui quando começar a ir ao ar.

Como vocês podem ver, estou envolvida em muitos trabalhos – e isso nem é tudo. Acreditem se quiserem, tem projeto novo saindo do forno daqui a pouco. Nem vou entrar em detalhes agora porque a hora de anunciar é quando estiver pronto – e não está. Mas entre todas estas coisas, caminho amando o que faço, expandindo possibilidades profissionais e nem conseguindo chamar tudo isso de “trabalho”, com a conotação que muitos dão à palavra. É como diz a frase: “Faça o que gosta e não precisará trabalhar um dia sequer na vida”.

Até a próxima e, até lá, dêem uma passadinha no site da revista e da rádio para saber mais.

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Tema novo para o blog (provisório)

Pois é, mudei o tema do blog. Não sei nem dizer por quantos anos o Sinestesia manteve o tema Connections (modificado) que, não só foi design meu, premiado nos idos de 2005, mas também sempre ocupou um lugar especial no meu coração.

Mas da mesma forma como às vezes queremos mudar o corte de cabelo ou arrumar o guarda-roupa para trazer aquele ar de renovação, chegou a hora de exercitar o desapego e partir para o novo com a carinha aqui do blog.

Adiei e adiei esta troca, não somente por apego, mas também porque tenho uma certa tendência a achar que o “novo” tinha que ser também o “perfeito”. E aí empacava na preguiça de pesquisar temas novos. Naquela época em que temas pagos para WordPress nem existiam, era facinho escolher um novo. Hoje em dia, é tarefa heróica desbravar os mares deste mundo, lotado não somente de opções gratuitas e pagas, como também de fontes confiáveis e questionáveis de onde baixar seu layout preferido.

Para não continuar jogando esta tarefa com a barriga, pensando na trabalheira que seria achar o tema “perfeito”, adotei a postura oposta da que costumo ter e instalei o primeiro tema bacaninha que encontrei. Tenho poucas dúvidas de que será provisório, porque as opções de customização automática são poucas e hoje em dia tenho pouquíssimo tempo para mergulhar por horas em código para customizar tudo “na unha”.

Mas por enquanto está aí, é um tema de transição até que eu encontre algo que se encaixe melhor com o que tenho em mente. E para quem tiver curiosidade ou se interessar, o nome do tema é  Adelle e pode ser baixado gratuitamente neste link.

Tenho outras novidades, mas vou dedicar um post separado para elas.

Para finalizar este, queria só comentar que, por duas semanas, este mês, curti a presença de família aqui comigo. Vieram minha prima, meu primo com a esposa (que é quase uma irmã para mim) e as duas filhinhas (de 8 e 12 anos, respectivamente). Tão bom matar saudades das pessoas queridas… O difícil só é depois se despedir, o coração fica apertadinho. Mas faz parte.

Ah sim, e se alguém tiver um tema para WordPress interessante para me sugerir, por favor deixe nos comentários. Não importa se é gratuito ou pago, desde que seja muito bem codificado e tenha boas opções de customização e funcionalidades. Agradeço de antemão a quem puder indicar algo.

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Amanda e Jaque

Acabo de notar que vai fazer quase um ano que não posto aqui. (!!) Não parece… Todos estes meses foram corridíssimos pra mim. Então vou fazer um apanhado geral neste post.

Em junho do ano passado, a Fabiana Honorato e eu começamos a trabalhar juntas no 1001 Dicas Práticas. Eu e a Fabiana temos estilos de vida parecidos, bem como uma enfoque profissional bastante similar, então não demorou muito para que novas idéias surgissem e, assim, começamos a trabalhar em outros projetos também.

Começamos a versão em inglês do 1001 Dicas (All Hot Tips), que aos poucos está tomando forma. Paralelamente, iniciamos outros 2 projetos sobre os quais não vou falar ainda, mas quando estiverem prontos divulgo os links aqui. Contratamos uma agência para desenvolvimento de logotipos e passamos alguns meses entre o planejamento em si dos projetos e concentramos esforços na produção de conteúdo para o 1001 Dicas Práticas, que rapidamente mostrou resultados, tornando-se o blog com maior visitação entre os que toco. Tem sido divertido e interessante ver este projeto crescer.

Por volta de Agosto, minha mãe, irmã e sobrinho passaram um período aqui comigo. E, para minha alegria, descobrimos logo nos primeiros dias que serei tia novamente!

Em Outubro, o marido voltou de mais um deployment no Afeganistão, onde ficou, mais uma vez, por 7 meses.  E os meses posteriores à volta de um deployment são sempre lotados de atividades – visita a familiares, coisas que estão pendentes e não puderam ser resolvidas na ausência dele e, claro, procurando fazer de tudo um pouco juntos para matar as saudades.

Em meio a isso tudo, começamos a procurar uma casa porque queríamos nos mudar. O ano de 2012 começou com muitas caixas, conforme nos preparamos para a mudança, que aconteceu em Fevereiro. E, no país do “faça você mesmo”, fizemos a mudança inteira praticamente sozinhos, com exceção dos móveis mais pesados, que tivemos ajuda de amigos para carregar. Mas este processo não envolveu empresa de mudança, então entre embalar, carregar e desembalar tudo, inspeções de mudança e burocracias, foram-se praticamente 2 meses. E agora estamos no estágio de decoração na casa nova. Não acaba nunca! :p

Também em meio a tudo isso, tivemos que ir para Miami para renovar meu passaporte que estava vencido. É uma longa viagem e eu, particularmente, não gosto muito de ir para Miami, mas os serviços do consulado foram excelentes. Aproveitei para resolver outras coisinhas pendentes por lá, então valeu a pena.

Mas, assim passaram-se os meses em que estive ausente deste blog especificamente.

Enquanto isso, saudade, muita saudade da família. Nos momentos de introspecção em meio à vida agitada, é com eles que meus pensamentos frequentemente estão.

E falando em momentos introspectivos, acho que estou gradualmente voltando a apreciar o valor deste blog como canal para explorar e comunicar os pensamentos, idéias e opiniões que há tempos não me sentia confortável em expor aqui (como aliás, relatei neste post escrito há mais de um ano). Releio às vezes comentários deixados por pessoas que em algum momento se identificaram com meus pontos de vista e encontraram valor em palavras escritas como resultado de diferentes reflexões. E aí, sinto falta destas conexões e de fazer contribuições dessa natureza.

Tenho carinho por alguns leitores fiéis do blog, pessoas que comentam não importa quanto tempo eu passe sem escrever. Pessoas que nunca encontrei pessoalmente, mas moram no meu coração. Tenho também carinho pelos visitantes que chegam aqui por acaso e dedicam alguns minutos do seu tempo a ler algo que os toca naquele momento.

O simples fato de eu estar publicando isso agora é sinal de que há conteúdos internos pedindo para sair. Não sei bem como será isso, mas de uma forma ou de outra, por hoje vou ficando por aqui e deixando um grande abraço especificamente para duas daquelas pessoas que moram no meu coração: Amanda Brenda e Jaque. Uma boa parte deste post foi inspirado por vocês. Até a próxima.

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“Eles trocam o dia pela noite” (entrevista para o iG)

Não tive oportunidade de escrever sobre isso na ocasião em que aconteceu, então com quase 2 meses de atraso eu digo “antes tarde do que nunca” e conto:

Dia 4 de Março deste ano foi publicada no canal Delas do iG uma matéria com o título “Eles trocam o dia pela noite“, falando sobre pessoas que, como eu, possuem relógios biológicos diferentes do que é considerado padrão. A matéria não é longa, mas foi brilhantemente escrita pela Verônica Mambrini, que entrou em contato comigo para que eu desse uma entrevista sobre a minha experiência.

Já escrevi extensivamente sobre este assunto aqui no blog, então não vou repetir informações e opiniões. Mas queria compartilhar a publicação dessa matéria, não só porque fui entrevistada mas também porque meus artigos escritos anos atrás sobre isso continuam até hoje recebendo comentários de pessoas que se identificam com ele – indicativo de que notívagos não são assim tão incomuns e que as pessoas com essa característica buscam este tipo de informação. Então para os que se interessam pelo assunto, leia aqui a matéria na íntegra.

Ela conta com experiências de outras pessoas, os desafios comumente enfrentados e a opinião de um especialista – com a qual eu, particularmente, concordo parcialmente. Parte da minha entrevista aparece no final, como exemplo de como se adaptar social e profissionalmente quando se tem um relógio biológico diferente daquele em torno do qual a sociedade funciona – e minha opinião sobre o assunto.

Fiquei muito satisfeita com a fidelidade com a qual minha opinião foi expressa – e com o contexto no qual foi incluído. Acho importante fazer esta observação porque nem sempre isso acontece e me impressionou o altíssimo nível do jornalismo da Verônica. Já tive experiências com outras entrevistas em que informações e opiniões foram ou colocadas fora de contexto ou mal interpretadas pelo(a) jormalista, resultando em coisas imprecisas ou até mesmo bizarras que já foram publicadas a meu respeito.

Mas minha opinião nesta matéria está fiel ao que foi dito e a importância disso para mim é que este assunto já é rodeado de interpretações e pressupostos ignorantes o suficiente sem que precisemos repetir clichês sem fundamento. Então, fiquei contente por vê-lo abordado sob outra ótica, em um texto leve, bem pesquisado e isento de julgamentos, com equilíbrio entre diferentes relatos e opiniões  – embora o espaço para a matéria tenha sido curto e, portanto, não permitindo profundidade. Mas agradeço à Verônica pela oportunidade de expressar meu ponto de vista e por mantê-lo fiel ao que foi dito. E por citar o que considero o maior equívoco com relação à forma como notívagos costumam ser vistos socialmente, como expresso na frase abaixo:

“Notívagos são mais comuns do que se imagina e acredito que estamos definindo ‘normalidade’ pelos critérios errados. A solução não é ‘tratar’ o metabolismo – e sim encontrar alternativas viáveis e saudáveis de interagir social e profissionalmente.”

Mantenho essa opinião. E espero que a matéria seja útil para outros notívagos e similares por aí afora. :)

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Military life as a military wife

(Este texto será longo, mas bastante informativo para quem se interessa pelo assunto. Escrevi dividinindo-o em sub títulos para facilitar para quem preferir ler partes específicas).

Eu desde pequena tive tive uma postura resistente com relação a qualquer coisa que fosse militar. Não vou entrar em detalhes – por si sós, eles cabem em um post daqueles filosóficos que me são habituais. Mas fato é que, dada a minha aversão a isso, uma das maiores ironias da minha vida foi me casar com um militar.

Não começou assim. Quando o conheci, embora fosse ainda reservista pelos benefícios que este vínculo proporciona, ele tinha outro emprego e nenhuma intenção de se alistar novamente. Sem entrar em detalhes que não vêm ao caso, no final de 2008 (coincidindo com minha mudança pra cá), isso mudou.

E assim começou minha história como esposa de militar (“military wife”) que já dura 2 anos. Eu tinha idéias pré-concebidas sobre o que esperar deste mundo. Algumas delas corretas, outras nem tanto.

Então, como é ser esposa de militar?

Deixando de lado as considerações filosóficas da questão e olhando somente do ponto de vista do casamento em si, é uma função que significa muitas coisas diferentes. Há o lado positivo e o negativo – e mesmo isso depende do seu enfoque. Mas é praticamente unânime entre esposas militares a opinião de que este estilo de vida traz sua boa parcela de desafios e que não é para toda mulher. No desenrolar deste texto você vai entender por que. Apesar dos desafios diversos, no entanto, o lado positivo da moeda existe, mas vou falar sobre ele no final.

Ao longo do tempo, descobri que essa função exige alguns tipos de habilidade emocional que eu, na verdade, nem sabia que tinha.

Muita, (mas muita!) paciência e capacidade de lidar com frustração, adaptabilidade para lidar com uma enorme diversidade de cenários que vão desde mudanças de cidade (estado, país…), até diversas situações imprevistas que sempre, sempre surgem.

Estabilidade emocional para lidar não só com o seu stress, mas também com o do outro, que tem em você seu principal ponto de equilíbrio e suporte e precisa deles acima de tudo em momentos de tensão extrema, associados à realidade de uma guerra.

Independência para tocar sua vida (e sua casa, seu trabalho, seus filhos – quando é o caso) sozinha na ausência deles, que é frequente e muitas vezes longa (meses). E, falando nisso, em algum momento você precisa aceitar o fato de que essa ausência faz parte e desenvolver mecanismos internos e externos para lidar com ela. Essa ausência não respeita datas importantes: Natal, Ano Novo, aniversário de casamento, seu aniversário (e o dele, o do filho…), nascimento da filha, não importa… Eles vão quando têm que ir, ficam o tempo que têm que ficar e ocsasiões importantes ou datas comemorativas não mudam isso. Então criar seu círculo de amizade (em cada-lugar-pra-onde-vocês-vão!) é fundamental.

Para algumas mulheres, ser exposa de militar significa também fazer sacrifícios na sua própria carreira, pois as mudanças de localização não são propícias a uma carreira estável em lugar nenhum. Felizmente não é meu caso porque trabalho online, mas é o de muitas esposas. E, para ser sincera, acho que muitas mulheres se acomodam sob este pretexto quando na verdade não querem trabalhar. As que querem, encontram alternativas. A estabilidade da carreira pode ser afetada quando dependente de localização física, então, encontrar alternativas flexíveis de trabalho tendem a ser a melhor opção.

De uma forma geral, a maior habilidade de uma esposa de militar é ser capaz de lidar com o inesperado, porque ele faz parte desse estilo de vida.

Tem mais, mas acho que já deu pra dar uma idéia…

A Aeronáutica sabe da relevância da figura da esposa (e filhos) na vida dos militares e entende que a estabilidade em casa reflete diretamente na performance deles em um deplyment.  Reconhecendo que essa criatura dotada desse conjunto de habilidades precisa ser valorizada para tolerar essa “insanidade”, a Aeronáutica nos proporciona benefícios diversos. Nem sei como começar a listá-los, mas eles vão desde benefícios de teor financeiro (como bolsas educacionais, plano de saúde e dentário, etc.) até programas de suporte moral e emocional (como encontros de esposas, jantares, grupos de apoio, seminários, recolocação profissional, etc.). Há uma divisão especificamente voltada para o suporte à família e grupos independentes e oficiais de esposas.

Dia-a-dia:

Quando meu marido (na época, namorado) me disse que estava voltando ao serviço ativo da Aeronáutica, aproximadamente 6 meses antes de eu me mudar pra cá, a minha percepção dessa realidade era limitada e, como disse no início, parcialmente correta, parcialmente fantasiosa. Notando minha completa aversão a essa opção (em um passado não muito distante eu não estava disposta a viver essa vida), ele tentou ampliar minha percepção, explicando o que esperar. Com relação ao dia-a-dia, ele colocou da seguinte forma: “quando eu estiver em casa, o dia-a-dia é como um emprego “normal”, todos os dias eu vou trabalhar na base, entro cedo, saio às 3:30 da tarde.” E é isso mesmo. Nos meses em que ele está em casa, ele acorda com as galinhas e volta do trabalho às 4hs. Dependendo das circunstâncias, há semanas atípicas em que ele pode trabalhar mais, menos ou em horários atípicos, mas isso é a exceção e não a regra. Essa parte é muito tranquila.

Deployments:

“Deployment” é o termo dado para quando eles vão para a guerra. Para um militar americano, ir em deployments não é uma questão de “se”, mas de “quando” – como ele próprio costuma dizer. É uma realidade com raríssimas exceções. Se por qualquer motivo o militar não pode mais ir em deployments (isto é, condições permanentes que impedem alguém de cumprir sua função na guerra), ele é afastado do serviço permanentemente e forçado a se aposentar. Recusar-se a ir não é uma opção e resulta em prisão. A única consideração mais filosófica que vou incluir aqui sobre tudo isso é que sempre achei irônico o fato de que a estrutura funcional para defender e garantir a liberdade de um país (que é como eles enxergam a função do serviço militar) baseie-se na limitação da liberdade individual do militar. Eles são considerados propriedade do governo no sentido literal.

Vou fazer aqui, também, um parênteses para esclarecer que o trabalho que meu marido faz não envolve entrar em combate. Ele pertence a uma divisão especial de engenharia civil, que é auto-suficiente, altamente móvel e especializada e, portanto, tecnicamente preparada para deployments a qualquer momento (caso isso seja necessário), para dar suporte a contingências e operações especiais. Dessa forma, eles vão para bases em zonas de guerra onde projetos especiais precisam ser executados com rapidez, o que o coloca fisicamente em lugares onde os riscos existem, mas ele próprio não fica diretamente envolvido em combates em si (que ficam a cargo das divisões de combate aéreo e, em terra, do Exército).  Os riscos, neste caso, estão no período de transporte até a base e, uma vez dentro dela, nos ataques às bases que, sim, acontecem. Mas a frequência varia de base para base. Independentemente da natureza do trabalho, no entanto, eles são todos treinados e preparados pelo Exército para responder adequadamente a uma situação atípica em que a defesa se faça necessária. Em um deployment, todo militar carrega uma arma o tempo todo.

A duração e frequência dos deployments, por sua vez, variam de acordo com muitos fatores. Primeiramente, é diferente entre os 3 tipos de serviço (Exército, Marinha e Aeronáutica). O Exército, por exemplo, tem deployments de 18 meses, que eu particularmente considero uma insanidade do ponto de vista de uma família. Dentro da Aeronáutica, varia de acordo com o tipo de trabalho que a pessoa executa, o ranking e o tipo de unidade. Desde que nos casamos (completo 2 anos de casada amanhã), passamos por enquanto por 1 deployment – e embora oficialmente ele seja de 180 dias (6 meses), o tempo de fato fora de casa foi de quase 8 meses no total: aproximadamente 1 mês em treinamento em outro estado, 6 meses no deployment e o resto em trânsito. Neste meio tempo, não pudemos comemorar juntos: Halloween, Thanksgiving, Natal, Ano Novo, aniversário dele, Valentine’s Day, Páscoa. Ele chegou de volta às 9hs da noite no dia do nosso aniversário de casamento.

Deployments são uma experiência surreal, especialmente para alguém, como eu, nascida e criada em um país como o Brasil, sem a forte presença da cultura militar que os EUA têm. Comecei a escrever um post sobre isso no ano passado e parei no meio. Então vou encurtar: foi a maior sensação de impotência que já tive na vida. É você abraçar seu marido em meio a centenas de outras pessoas uniformizadas e suas famílias, enquanto armas são carregadas no meio de transporte em questão, e ver aquela pessoa entrar em um ônibus ou avião, sabendo que ela vai para um lugar onde ataques realmente acontecem e não pooder fazer NA-DA! É você voltar para uma casa vazia, sabendo que aquilo vai durar por meses. É não saber o que esperar e, muitas vezes, não saber nem para onde a pessoa está indo. É ficar desnorteada por algumas horas depois de se despedir, tentando fazer a ficha cair ou lidando com a sensação de quando ela cai. Na minha primeira experiência com um deployment, a única pessoa com quem eu quis falar foi minha irmã.

E aí entram em cena os imprevistos: depois de todo este turbilhão emocional, neste primeiro deployment pelo menos, houve um problema na pista de decolagem e eles não saíram no horário previsto. Voltei para encontrá-lo, porque tivemos a chance de almoçar juntos. Sim, eu não poderia ter ficado mais feliz com a oportunidade, mas o outro lado da moeda é que passamos pelo processo de despedida pela segunda vez. E não seria a última: às 5hs da tarde, recebi outro telefonema para ir buscá-lo porque eles só iriam no dia seguinte. Tudo de novo. Ao voltar para casa no segundo dia, depois da terceira despedida, eu estava emocionalmente esgotada.

O curso do deployment em si traz um outro conjunto de desafios: tensão enquanto eles estão em trânsito, depois quando já instalados na base onde vão ficar, fuso horário diferente, instabilidade no acesso à internet (que, sim, eles muitas vezes têm e, quando têm permite o contato diário), mas de tudo existem duas situações que eu considero as mais complicadas: corte de comunicação e ataques. Corte de comunicação pode ser intencional ou não: intencional quando, por qualquer motivo, eles precisam conter transferência de informação e não intencional quando a estrutura física de comunicação é afetada.

Este tipo de situação é bastante tensa. Pode não ter acontecido nada de sério, mas do seu ponto de vista de esposa, que simplesmente fica sem contato de repente, é angustiante porque você simplesmente não sabe o que está acontecendo. Não só isso, mas você também não sabe quanto tempo vai levar até que o silêncio seja quebrado, então este tipo de problema exige nervos de aço e muito auto controle.

Já os ataques,  não fico sabendo de todos, mas na base em que ele ficou da primeira vez, a frequência era alta (algumas vezes por semana). Mas já passei por situações como estar com ele no Skype, ouvir uma sirene (avisando sobre ataque iminente) e a conexão dele cair e eu passar as 24 horas seguintes sem notícias. Ou de saber no final do dia que ele ficou por horas em um abrigo esperando um ataque cessar.

Essas são as situações em que você precisa exercitar equilíbrio emocional extremo, não só por você, mas também por eles. As esposas são o ponto de apoio mais estável que eles possuem. Embora estas coisas não sejam exatamente comparáveis, o princípio é o mesmo da necessidade de uma mãe manter a calma na presença do filho em situações emergenciais para não assustar ainda mais a criança – ainda que ela própria esteja assustada.

Também é comum ter que lidar com falta de informação de uma forma geral. Existem diversas restrições com relação ao que pode e não pode ser dito – e quando. Alguns tipos de trabalho são completamente confidenciais, há esposas que lidam com situações em que o marido diz: “vou hoje, não posso dizer quando volto, nem para onde estou indo”. Se eles são transferidos de uma base para outra, muitas vezes você só fica sabendo depois que eles chegam lá. Quando o final de um deployment se aproxima, eles não têm permissão para nos dar datas exatas de chegada até que a transmissão dessa informação seja segura.

A volta é outra experiência surreal: você não vê a pessoa há 8 meses: ela está diferente, você está diferente, sua rotina está diferente, há uma fase de readaptação – e nada disso importa. Só o que importa é saber que a pessoa está de volta em segurança e essa sensação é algo indescritível. Ver seu marido saindo de um avião ou chegando no desembarque de um aeroporto depois de uma experiência como essa é algo que só mesmo viver na pele torna possível compreender. Mas é um momento extremamente emotivo. O vídeo abaixo é uma coletânea de “homecomings” (ou “voltas para casa”) surpresa e acho que transmite um pouco desse sentimento. Eu não consigo assistir este vídeo sem chorar:

Outros tipos de ausência:

Isso também varia imensamente de acordo com vários fatores, então vou falar da minha experiência e do que já vi acontecer com outras pessoas. Além de deployments, eles têm uma série de outras atividades que os levam para outros estados e, às vezes, também outros países, onde não há uma guerra acontecendo.  Elas incluem cursos e treinamentos, projetos, TDYs (Temporary Duty Assignments) e outros tipos de requerimento para avanço de carreira. O tempo de permanência, de novo, varia muito – pode ser de uma semana a 3, 4 meses. Até mais em alguns casos.

Para dar um exemplo: digamos que a distância entre o final de um deployment e o início de outro seja 1 ano. Neste meio tempo, é comum eles terem que ir para outros lugares, então de fato, é raro eles ficarem em casa o ano todo, pelo menos na nossa circunstância atual. Mas isso é variável, então não sei qual a frequência das ausências entre deploments para outras divisões.

Avanço de carreira:

Como se todo este tempo longe da família não fosse suficiente, espera-se deles que no tempo livre invistam no avanço da carreira. A subida de ranking segue critérios e requerimentos que incluem trabalho voluntário, extensão de estudos e uma prova dificílima (entre outras coisas). Sem o desempenho mínimo nessa prova (que é alto), ainda que todos os requerimentos sejam preenchidos, eles não sobem de posto. Isso significa que no tempo livre eles precisam estudar e se preparar. Dependendo da data da prova, essa preparação vai acontecer durante um deployment, projeto ou no “tempo livre” que eles têm em casa.

Eles são também “encorajados” (“encorajados” porque, pelo menos na nossa experiência, embora não seja um requerimento, há uma cobrança) a completarem créditos educacionais para cursos de faculdade, mestrado ou similares. Estes cursos podem ser feitos online ou com presença física na universidade, dependendo da situação.

Então, qual o lado positivo da moeda?

Se você leu até aqui, deve estar questionando o mesmo que eu própria questionei no início: por que alguém opta por este tipo de vida e qual o lado positivo disso tudo? Acredite, ele existe. Vou falar do ponto de vista do militar e do casal:

Status e benefícios financeiros:

O militar americano é visto aqui com muito respeito e valorizado como tal. A cultura militar é forte. Comércio e serviços expressam isso na forma de descontos militares (uma grande quantidade de hotéis, restaurantes, lojas, atrações e parques e assim por diante oferecem descontos diferenciados para militares e seus dependentes). A população em geral expressa isso de formas diferentes, muitas vezes verbalizando apreciação. Eu tenho uma identidade militar como “dependente” (como todas as esposas) e não é raro, ao apresentar o documento como identidade, ouvir a frase “Thank you for your service”. Ele ouve muito mais, particularmente no 4 de Julho, Dia da Independência, quando toda a atenção se volta para isso.

É a cultura deles, os valores que, como país, eles tendem a adotar. Não vou questionar porque venho de outra cultura e aprendi que existe uma grande “gray area” (área cinzenta) entre o preto e o branco nos quais eu tendia a encaixar minha percepção sobre isso.

Do ponto de vista financeiro, acredito que para compensar este estilo de vida “incomum”, o sistema militar torna estes benefícios atrativos. O militar usufrui de estabilidade, possibilidades reais de ascenção profissional e salarial e uma pletora de benefícios e pagamentos adicionais ao salário base. São tantos que nem tenho como listar todos neste artigo (mais aqui, se alguém se interessar), mas alguns deles são:

  • Plano de saúde e dentários para a família imediata, vitalícios depois da aposentadoria.
  • Férias pagas com duração significativamente superior à média da população, dias de folga cumulativos que podem ser somados a férias ou combinados para mini-férias de uma semana, por exemplo.
  • “Family separation allowance” (pagamento por separação da família quando em deployments ou em outros países ou estados) e “Hardship duty pay”, em deployments). Essa combinação praticamente dobra o salário durante deployments, que é completamente isento de taxas e impostos.
  • “Housing allowance”, que cobre aluguéis/financiamentos de imóveis. Créditos financeiros a taxas inferiores às do mercado.
  • Cursos de extensão educacional e faculdade gratuitos para membros do serviço ativo, que podem ser transferidos para dependentes. Esposas também usufruem de bolsas educacionais – totais e parciais.

Mesmo do ponto de vista de credibilidade financeira, o militar tende a ser visto com bons olhos. Um bom exemplo disso é que proprietários de casas geralmente preferem alugar imóveis para militares, porque sabem que a Aeronáutica toma providências, questionando o inquilino em questão caso o aluguel não seja pago. E, em uma economia em crise, o militar é aquela pessoa cujo salário e sua estabilidade são garantidos pelo governo.

Por fim, as bases da Aeronáutica nos EUA possuem uma infra-estrutura interna e nas suas propriedades voltada a esportes e lazer (rampas para barcos e aluguel de barcos em áreas de praia, academias e quadras, áreas para piquenique, bibliotecas, boliche, áreas de recreação externa, atividades infantis e creches, aulas de diversos tipos, etc), necessidades cotidianas (supermercado, loja de conveniência e de departamento), hospitais, clínicas e ptonto-socorro (em algumas bases) e “base housing”, que são as casas para famílias que preferem morar dentro da base ao invés de alugar ou comprar um imóvel.

Relacionamento e diversidade:

Ser esposa de militar americano era algo que no passado eu enxergava como fora de cogitação para mim e embora entendesse que casais apaixonados era o que justificava que outras mulheres topassem essa vida, mesmo muito antes de conhecê-lo eu as via com uma sensação de pena e compaixão. Cenas de filmes em que esposas se despediam de maridos indo para a guerra sempre me emocionavam e quando alguma situação real acontecia (como 11 de Setembro ou a Guerra do Golfo), meu primeiro pensamento era voltado para as esposas/famílias cujos maridos estariam envolvidos no confronto. Ironias da vida, ou talvez um sexto sentido que me tornava parcialmente consciente do que o futuro me reservava.

No início, ao me deparar com a avalanche de circunstâncias que foram se apresentando, às quais tive que me adaptar rapidamente enquanto me adaptava também à vida em um país novo, enxergar o lado positivo da moeda não foi a coisa mais intuitiva, mas eu nunca perdi isso de vista. Eu não tinha ainda vivido essa experiência por tempo suficiente para ser capaz de analisá-la como um todo e compreender todos os seus lados.

Mas a realidade que foi se desenrolando com o passar do tempo é que os desafios e dificuldades incomuns deste estilo de vida vêm acompanhados de benefícios igualmente incomuns. Ao tentar me convencer disso antes de nos casarmos, meu marido uma vez me disse que os casais mais felizes que ele conhecia eram militares. A expressão no meu rosto ao ouvir isso deve ter sido impagável, pois eu não conseguia conceber que alguém pudesse ser feliz vivendo essa realidade e achei que era nisso que ele queria acreditar.

Como passar do tempo, no entanto, eu entendi o que ele estava tentando me dizer e hoje dou razão a ele. Sim, há momentos de muita frustração e stress, mas de uma forma geral, quando você tem limitações no tempo em que fica junto e quando passa por situações em que contempla possibilidades de risco, todo o resto entra em uma perspectiva diferente que casais em um estilo de vida mais tradicional tendem a não ter. O tempo junto é altamente valorizado, não se perde tempo e energia discutindo trivialidades ou problemas que não têm assim tanta importância, o que torna a interação entre o casal leve e positiva. A tendência é nos tornarmos muito mais criteriosos com relação ao que vale a pena discutir e o que não vale. A saudade e os reencontros renovam o relacionamento periodicamente e nos faz focar nos aspectos positivos um do outro. A distância obriga os casais a desenvolverem formas mais eficazes de comunicação que permeiam o relacionamento como um todo – na presença física e à distância. O dia-a-dia é mais que o dia-a-dia. Os planos e sonhos não são empurrados com a barriga, porque a sua percepção de tempo se altera. Nada é tratado como “um dia ainda vamos fazer isso”. Tudo o que é possível ser feito hoje, é feito hoje, esta semana, este mês, nos meses entre deployments. Isso é muito positivo.

Com isso, quando estamos juntos, vivemos intensa e intencionalmente. Datas comemorativas ganham significado adicional. Tudo recebe um significado ampliado, nos obrigando a perceber momento a momento a importância de se viver no presente e fazer dele o melhor possível.

Como experiência de vida, é algo que torna as pessoas mais fortes e oferece incontáveis oportunidades de crescimento pessoal. Desenvolve-se independência ampliada, adaptabilidade, habilidades emocionais diversas.

Tudo isso vem com o tempo, claro. É um aprendizado constante, mas acelerado.

Do ponto de vista de diversidade, conhecemos pessoas do mundo todo, temos a oportunidade de viver em estados e países diferentes. Para mim, pessoalmente, isso é fantástico!

Eu levei algum tempo para ser capaz de enxergar tudo isso, mas hoje em dia aprendi a reconhecer e apreciar o outro lado da moeda. Embora eu nunca vá ficar feliz com um deployment e tenha ainda meus momentos de extrema frustração e stress, minha atitude é positiva na grande maioria do tempo. Atitude positiva é fundamental – não só neste caso, como em  tudo na vida.

Não é raro eu ouvir das pessoas comentários como “eu jamais seria capaz de viver esta vida e não sei como você consegui lidar com isso”.  Eu própria já fui essa pessoa e a grande lição nisso tudo é a realização de que somos mais capazes do que nos percebemos ser e que mesmo as situações aparentemente difíceis e desafiadoras contêm seu pólo oposto e basta a atitude certa para enxergá-los.

Como eu disse, não vou entrar em considerações filosóficas sobre a guerra em si, pois elas não são o foco deste artigo. Mas eu recebo muitas perguntas com relação a este estilo de vida e muita gente vinha me pedindo para escrever um artigo sobre isso. Então, embora consideravelmente longo, espero que este texto responda muitas destas perguntas e tenha sido informativo. Se ainda restam perguntas, basta publicá-las nos comentários.

Obrigada a quem leu o texto todo. :)

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